Plano Real vira filme de ação

Plano Real vira filme de ação

Marcelo Rubens Paiva

20 Março 2017 | 11h59

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A crise do sistema financeiro de 2008 produziu ótimos filmes, em que misturam economia, Wall Street e dramas pessoais, como Marginal Call – O Dia Antes do Fim, Grande Demais para Quebrar, A Grande Virada.


Não é que resolveram fazer o mesmo com o Plano Real?

Gustavo Franco é o herói de uma trama recheada de truques de filme de ação, REAL – UM PLANO POR TRÁS DA HISTÓRIA, interpretações incisivas, música boa, alta, economista com cara de mau, gente competitiva e uma esposa insatisfeita.

Num certo momento, ele diz: “Me formei em primeiro lugar da turma para ficar anos corrigindo provas de alunos comunistas.”

FHC e Itamar viram personagens. Exaltam-se, dão prazos.

O final, todos sabem, foi feliz. A moeda se estabilizou.

 

 

 

O cinema à serviço do proselitismo político?

A trama se passa em 1993.

Depois do impeachment de Collor e um período de décadas de inflação, Itamar toma posse, chama FHC para gerir a economia, que monta uma super equipe que, imediatamente, planeja estabilizar a moeda brasileira.

Diferentemente dos filmes sobre a crise financeira americana, este ganha uma assumidamente anunciada classificação de “thriller político”.

Baseado no livro do jornalista e escritor Guilherme Fiúza (3000 Dias no Bunker), lançado em 2006, o filme é dirigido por Rodrigo Bittencourt (Totalmente Inocentes, de 2011, com Fábio Porchat), em coprodução da Maristela Filmes.

Gustavo Franco (Emílio Orciollo Neto), que pesquisou em Harvard a hiperinflação nos anos vinte da Alemanha e dava aulas na PUC-RJ, vira herói.

A semelhança física entre ator e personagem é incrível.

Como Itamar Franco (Bemvindo Sequeira), FHC (Norival Rizzo), Giulio Lopes (Edmar Bacha), Tato Gabus Mendes (Pedro Malan), Guilherme Weber (Pérsio Arida), Wladimir Candini (André Lara Resente).

A equipe teria se fechado bunker até sair com o plano de criar duas moedas, uma provisória, a URV, e o Real.

Gustavo Franco ficou no governo até 1999, foi secretário de política econômica adjunto do Ministério da Fazenda e presidente do Banco Central.

Afirma no filme, heroicamente: “Eu não vou desvalorizar a moeda, o Real é do povo”.

Não desvalorizou, para garantir a releição de FHC, perdeu o timing, o Brasil quase quebrou.

No país dividido pela política do Fla-Flu, acusações de ser um filme adesista a apenas um lado da moeda virão.