Onde está a Dancinha do Impeachment?

Onde está a Dancinha do Impeachment?

Marcelo Rubens Paiva

08 Dezembro 2017 | 11h57

 

 

Dancinha do impeachment sempre esteve envolta em mistérios.

Veio de Fortaleza, CE. Os passos lembram uma micareta, uma folia, um bloco de carnaval.

A música Seja Patriota teve a coreografia ensaiada num galpão na Comunidade Católica Obreiros da Tardinha, “muito conhecida em Fortaleza”, tuitou Edson Rômulo.

Coreografia ensinada pelas redes sociais em vídeo produzido por colaboradores do grupo Consciência Patriótica.

Que hoje revela aquilo de que se suspeitou na época: é um grupo anticomunista ferrenho, que apoia teses conservadoras, como a de ser contra a identidade de gênero.

E, sim, demonstra simpatias pelo candidato Jair Bolsonaro.

O porta voz, o publicitário Diego Rebouças, disse na época ao jornal O Povo, o mais antigo do Ceará: “Não damos ouvidos às críticas. Música é uma forma válida de unir as pessoas em torno do combate ao comunismo e ao socialismo, à corrupção e ao governo federal”.

Pessoas foram agregadas em panfletagens num bairro nobre de Fortaleza, para manifestação contra o governo Dilma e o PT.

Em 16 de agosto de 2015, a performance ao estilo flash-mob foi exibida e difundida nas redes sociais.

Até hoje, perguntam-se quem são aquelas pessoas, e como reagem ao que está acontecendo.

O grupo Consciência Patriótica tem hoje 90 mil seguidores no Facebook, numa conta ativa, e está associado a outros grupos de extrema-direita que defendem o combate ao comunismo.

Agora em novembro, defendeu em sua página que “meninos e meninas são diferentes”, anunciou com alarde o pedido de prisão de Cristina Kirchner e criticou ataques de Reinaldo Azevedo contra Jair Messias Bolsonaro.

Defende a prisão de Lula, “pilantra”, “comunista”.

Uma seguidora pede que Lula seja enforcado.

 

 

O grupo criticou a decisão do STF de permitir que um transexual mude de nome e associou a “indústria das multas” a táticas “socialistas comunistas”: “Além de perseguir, confundir, humilhar e desrespeitar as pessoas, o esquerdismo aproveita para tomar o dinheiro dos trabalhadores através da Indústria da Multa.”

Claro, citam Olavo de Carvalho e se indignaram com a exposição Querrmuseu, do Santander Cultural.

Mas não se encontra o perfil de Rebouças.

 

foto Rodrigo Carvalho

 

Vídeos dos ensaios foram apagados.

Nomes, perfis, mais detalhes?

Nada.

Alguém tem notícia deles?