A lei

A lei

Marcelo Rubens Paiva

19 Março 2009 | 02h26

OK, o garoto passou dos limites, agrediu a namorada na festa da estreia da peça dela e a camareira. Não pode, não pode… Uma decisão judicial passou a obrigá-lo a manter distância da agora ex (250 metros).

Então, se ele entrasse num cinema escuro, e ela estivesse, cana. Se fosse à praia, e ela saísse do mar de surpresa, cana. Se frequentassem o mesmo camarote de Carnaval, cana. Se se cruzassem sem querer numa faixa de pedestre, num aeroporto, dentro de um navio, numa festinha de artistas, num estúdio de novela, cana.

“O encontro entre os dois aconteceu no camarote da Brahma durante o Desfile das Campeãs, no carnaval carioca e, posteriormente, na festa Bailinho, no Museu de Arte Moderna (MAM), que acontece em alguns domingos do mês. No camarote, ele chegou a circular com uma fita métrica que seria uma forma de ironizar a decisão judicial de manter a distância.” (O Estado de S. Paulo)

Cana. Passou a terça-feira só de camiseta de malha, bermuda e chinelos, por “medida de segurança”, numa cela chamada de “seguro”, onde não há presos de facções criminosas; cerca de 10 metros quadrados. O almoço na quarta-feira servido aos detentos foi uma quentinha com galinha, berinjela, arroz e feijão. Ele preferiu o estrogonofe feito por outros presos.

O relaxamento da prisão foi negado. O crime é inafiancável. Só recebeu habeas corpus no fim da tarde e deixou a carceragem da Polinter, na Pavuna (zona norte do Rio).

“Ele não estava proibido de ir ao camarote e lá ele não a abordou. Ele foi convidado para ir ao camarote. O meu cliente não está proibido de ir à festa nenhuma”, afirmou o advogado.

Ainda bem que neste País há Justiça e gente atenta às leis.