O novo é velho na política brasileira

Marcelo Rubens Paiva

31 Outubro 2016 | 15h13

O novo do velho na política brasileira

As eleições municipais de 2016 demonstram que o eleitor brasileiro está cansado da velha política. Mas nem tanto.

Os não políticos João Doria, empresário, Alexandre Kalil, ex-presidente de time de futebol, e Marcelo Crivella, pastor evangélico, foram eleitos.

Velhos políticos, como Rafael Grecca, Curitiba, e o octogenário Iris Rezende, Goiana, voltaram do ostracismo.

Herdeiros de clãs tradicionais, como ACM Netto (Salvador), Rui Palmeira (Maceió), sobrinho do ex-líder estudantil Vladimir Palmeira, e Nelson Marchezan Jr. (Porto Alegre), trazem consigo o DNA da política.

No entanto, a velha estrutura partidária se manteve intacta.

O poder municipal será dividido entre PSDB (803 prefeituras), PMDB (1037), PDT (335), PP (492), partidos que nasceram ainda na Abertura Política da década de 1980, no processo iniciado na ditadura e desenhado pelo general Golbery do Couto e Silva.

Que deu origem no PT (254 prefeituras).

Partidos da Era Vargas mantêm-se organizados e ativos, como PTB (262 prefeituras) e PSB (413 prefeituras).

O PPS, ex-PCB, partido fundado nos anos 1920, elegeu 122 prefeitos.

O refundado PCB não elegeu ninguém.

PCdoB, racha do PCB do começo dos anos 1960, elegeu 81 prefeitos.

Da nova esquerda, como PSOL, PSTU e PCO, só o PSOL emplacou dois candidatos, apesar de ter saído com 430.

O novo partido NOVO saiu com um candidato, que não se elegeu.

REDE saiu com 155. Elegeu sete.

Os partidos tradicionais ainda continuam no Poder.

Se a operação Mãos Limpas, da Itália, levou à ruptura de tradicionais agremiações e a fundação de novas, a Lava Jato ainda não foi tão longe.

A esquerda foi a grande derrotada. Especialmente o PT, que de 638 prefeituras antes de 2016 caiu para 254 e apenas uma capital, Rio Branco (AC).

A extrema-direita mostrou que grita mais (especialmente nas redes sociais) do que apita.

Lula e Dilma nem apareceram para votar.

E melancolicamente não fizeram a diferença ou pouco participaram no segundo turno.

Em Goiana, foram escondidos, como a estrela do PT.

Sinaliza-se que o projeto Lula para 2018 está na revisão. Motor fundiu.

Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) são as apostas para 2018.

Podem polarizar as eleições presidenciais com um candidato do PMDB ainda não escolhido e longe de uma unanimidade.

Aécio não conseguiu emplacar seu candidato em BH, e a Lava Jato começa a respingar em José Serra.

O mesmo do velho ainda continuará firme nos pilares da política brasileira.