Filme sobre Salinger flopa

Marcelo Rubens Paiva

13 Outubro 2017 | 13h26

Ele chegou a vislumbrar a possibilidade de adaptar uma das suas poucas obras para o cinema.

Desistiu e proibiu.

Isolou-se da vida pública. Proibia qualquer tentativa de escrever sobre ele. Morreu e, pronto, a primeira obra não é baseada no que escreveu, mas na sua vida fascinante.

Até Oona O’Neill aparece, a paixão que o trocou por Chaplin, enquanto estava enfurnado na academia do Exército, antes de partir para a guerra. Como voluntário.

O filme com nome nada sugestivo, Rebel in the Rye (pode ser Rebelde no Campo de Centeio, alusão a Catch in the Rye, ou no Brasil, Apanhador no Campo e Centeio), retrata 15 anos na vida do talentoso estudante, que luta na Segunda Guerra, na Alemanha, fala alemão fluentemente e volta para se tornar um dos escritores mais cultuados e enigmáticos da literatura mundial.

Trama que começa em 1939, em que J. D. Salinger, interpretado por Nicholas Hoult, faz um curso de “writing” com o editor Whit Burnett (Kevin Spacey).

Foi inspirado no livro J. D. Salinger: A Life.

Dirigido por Danny Strong.

Sei não. Salinger, por falar alemão, servia mais de intérprete do que guerreiro.

Tanto que morou em Berlim no fim da guerra, na caça de criminosos de guerra, e até se casou com uma alemã (que, ironia, descobriu-se ser uma nazista camuflada).

Mas, cinema…

Filme não bombou. Perdeu a sutileza de sua obra.