Mad Men: melhor série tinha que ter o melhor final

Mad Men: melhor série tinha que ter o melhor final

Marcelo Rubens Paiva

19 Maio 2015 | 10h59

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Pode deixar, não vou estragar e entregar o final e Mad Men (série que acabou domingo nos EUA, depois de sete temporadas, e ontem no Brasil).

Quando alguém me pergunta qual a melhor série que já vi, repondo de bate-pronto: MAD MEN.


E vi praticamente todas.

MAD MEN é a série mais completa.

Em cada temporada, seguiu o clima da época. E que época…

Da inocência dos anos 1960, da falsa mentira em que vivia a geração do pós-guerra, com casamento de papeis definidos e fidelidade questionável, à Revolução Sexual.

Pegou a entrada da maconha, LSD e cocaína no mundo corporativo.

Questionou a democracia, o racismo, a emancipação feminina, a lei de cotas, o casamento aberto, a evolução da música pop, da TV, das marcas, através do olhar de publicitários, exatamente aqueles que estão na observação da vanguarda das grandes transformações comportamentais contemporâneas (a faturam com elas).

As personagens femininas viviam o dilema da maternidade versus trabalho, casamento tradicional ou ambição profissional, tédio do papel de mãe do subúrbio ou entrar no trem na revolução, que passava.

E Don Draper, criado num bordel pela amante do pai, em seu vazio existencial, apesar de ser o homem perfeito (rico, lindo, talentoso, carismático, bem-sucedido), não sustentava uma relação amorosa, além de destruir o coração das mulheres.

Fracassou como marido e pai, roubou a identidade de outro homem para VER SE DAVA CERTO: é o ícone deste homem individualista, que a maioria sonha ser, ou melhor, que a publicidade nos vende como ideal, projeta como o parâmetro do consumidor de seus cigarros, bebidas, carros, passagens aéreas, malas, capas de chuva.

Don Draper aparentemente fracassa. Mas faz disso seu sustento e cria comerciais genais.

A última cena do último episódio de MAD MEN (calma, não vou contar!) será durante muito tempo debatida.

O sorriso de DON é o de Monalisa (tem mais coisa por trás do que um mero sorriso).

Finalizou com dignidade. Vai deixar uma bruta saudade.

+++

Alguns publicitários anotaram as grandes sacadas da agência da série, Sterling Cooper.

Sem saber como vender mais uma marca de cigarros, que se parece com todas, DOM Publicidade (Don) bolou:

Lucky Strike: It’s Toasted

O slogan de fato existe. Lucky Strike ser tostado não significa nada demais. Mas parece mais saudável do que outros cigarros, numa época em que a indústria começou a sofrer ataque das associações médicas.

The Kodak Carousel

Ninguém via graça no novo e desengonçado projetor de slides da Kodak. Don Draper não. Percebeu que lembrava a infância: pais ao redor de um carrossel, vendo filhos brincarem. Uma máquina do tempo, que avança e volta.

 

 

Belle Jolie lipstick

Para uma campanha de batom, mandou: “Mark Your Man.” (marque seu homem).

 

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“Utz are better than nuts”

O salgadinho Utz (batata frita) é melhor que amendoim, para acompanhar o uisquinho de todo fim de tarde.

Playtex asks: Jackie or Marilyn?

Uma sacada genial. A lingerie da Playtex tinha uma concorrência brava. Mas DON olhou ao redor da agência e descobriu: ou as garotas imitavam Jackie Kennedy, estilão sóbrio e elegante, ou Marilyn Monroe, mais sexy, realçando as curvas.

 

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“How do you say….” for Hilton.

Campanha para a cadeia de hotéis Hilton, cujo excêntrico dono foi retratado na série.

Heinz. The only ketchup.

O único ketchup é Heinz, ideia de Peggy, para posicionar a marca dominante.