Lei da Anistia, gremista e Glauco

Lei da Anistia, gremista e Glauco

Marcelo Rubens Paiva

02 Setembro 2014 | 12h06

 

Lei da Anistia, Grêmio e Glauco.

O que as 3 coisas têm a ver?

A Lei da Anistia, promulgada em 1979, durante ainda a DITADURA MILITAR, votada num Congresso engessado pela cassação política e proibição de registro de partidos, com a oposição morta, presa ou no exílio, e com 1/3 dos Senadores Biônicos, escolhidos não pelo voto, mas pelo general Ernesto Geisel, perdoou a tortura, crime considerado contra a Humanidade, portanto, não prescritível.

O perdão aos 2 lados é uma aberração política e jurídica.

Fere tratados internacionais, de que o Brasil é signatário.

Os defensores da lei dizem que ela ajudou o processo de transição.

Pediam que virássemos a página, olhássemos para o futuro grandioso que tínhamos pela frente.

A impunidade tornou-se uma marca brasileira, como uma cicatriz com queloide inflamado.

Meu amigo GLUCO foi morto por um garoto com problemas, Cadu, que foi preso ontem acusado de latrocínio.

Ficou 3 anos internado em clínicas psiquiátricas.

A Justiça de Goiás autorizou o tratamento sem necessidade de internação há 1 ano.

O Estadão revelou hoje que a sentença da juíza Telma Aparecida Alves, da 4.ª Vara de Execuções Penais, teve por base duas perícias realizadas pelo Programa de Atenção Integral ao Locutor Infrator e pela Junta Oficial do Poder Judiciário.

Ela alegou ser “leiga” no assunto e liberou o “paciente” seguindo as avaliações dos peritos, que atestaram: “o reeducando não apresenta quaisquer sintomas condizentes com sua continuidade em tratamento hospitalar de internação”.

É leiga, mas se tivesse olhado com detalhe o processo veria que Cadu matou Glauco e o filho, fugiu para o Paraguai e trocou tiros com a PF na fronteira.

Já deixou um rastro de violência em Goiás; é suspeito por ter atirado na cabeça de uma vítima em coma semanas atrás.

Nas arquibancadas, o pau come.

Um vereador do PT filiado a Gaviões da Fiel é suspeito de matar um torcedor do Palmeiras. Já tinha sido flagrado por câmera de TV trocando pontapés com um PM.

Uma câmera de TV da ESPN flagrou a torcedora Patrícia Moreira gritar “macaco” para o goleiro Aranha, do Santos, no jogo contra o Grêmio pela Copa do Brasil.

Ela procura agora uma maneira de pedir desculpas a Aranha; depois de ser ameaçada, perder o emprego, ter a casa apedrejada e ficar sem advogado.

Está arrependida, claro.

Estaria se uma câmera de TV não a tivesse descoberto?

A impunidade deixa o País doente.

Transforma a violência e a corrupção em epidemia.

Até quando?

É preciso tirá-la do nosso DNA.

Se ainda discutimos crimes ocorridos na DITADURA há 40 anos, lembro que ainda debatemos os direitos de ex-escravos que vivem em QUILOMBOLAS. Libertos há 125 anos. E de índios terem suas terras delimitadas. Há mais de 500 anos.