Gente diferenciada no museu

Gente diferenciada no museu

Marcelo Rubens Paiva

09 Setembro 2014 | 11h24

 

2 museus em São Paulo ocupam a mesma quadra e eram separados por uma grade, o da Imagem e Som (MIS) e o da Escultura (MuBE).

Uma ideia brilhante e óbvia há 8 anos: resolveram abrir a grade.

Uma grande praça se formou, com esculturas, jardins do Burle Marx, um restaurante, CHEZMIS, e um café, Café e Restaurante do MuBE.

O público de um e do outro se misturou. Crianças brincavam.

Há 2 meses, por decisão do MuBe, a grade foi novamente fechada.

Diz que público do MIS invade sua área, e museu não ganha nada por isso.

Olívio Guedes, que acumula o cargo de diretor de Relações Institucionais, vice-presidente do Conselho de Administração e membro do Comitê Curadoral do MuBe, disse:

“Várias vezes o MIS fez eventos onde? No MuBe. Cadê o respeito ao MuBe? O que ele ganha com isso? A destruição de suas calçadas?”

“Há destruição da calçada por causa do excesso de pessoas. Acho ótimo que tenha a exposição do Castelo Rá-Tim-Bum, mas precisa ter coordenação. Também não há seguranças. E se acontece algo com uma criança que saiu do MIS e veio para o MuBe?”

“O MuBe está aberto a todos e assim continuará, mas este portão está fechado porque o museu está sendo destruído. Não existe uma parceria. Cadê a troca? Se um ganha, o outro também tem de ganhar”, afirmou.

Presidido por Jorge Frederico Magnus Landmann, o Mube nunca se notabilizou pela popularidade, apesar de ter entre seus conselheiros membro da família do maior escultor brasileiro, Brecheret (Maria Aparecida Silva Brecheret).

Criado em 1995 numa área de 7.000 metros quadrados no Jardim Europa, é uma obra do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, com jardim projetado por Burle Marx.

Foi criado à partir de uma proposta inovadora: ser um museu sem acervo fixo. Mas esteve envolto em polêmicas desde a sua fundação.

Olivio Guedes é leiloeiro oficial. Escreveu vários catálogos e artigos, também um dicionário de Antiguidades e um Glossário de Arte. Curador, é sócio da Galeria Slaviero e Guedes, faz curadorias de Marketing Cultural para empresas, unificando a Arte com Tecnologia.

A postura do museu é bizarra. Fecharam os portões, porque “gente” passeia por ele, usa suas instalações.

Num espaço que é praticamente uma concessão da cidade, seu diretor, como se sentisse dono de um pequeno negócio, prefere mantê-lo restrito.

E às moscas.

Já a arte popular…

Escultor faz sucesso na Paulista recolhendo bitucas no Vão Livre do MASP.

Tornou-se uma celebridade da região

 

 

 

 

E eu?

Virei indicação de banheiro de uma temakaria no Itaim.

Futuro que minha mãe nunca pensou para seu filho.