filmes da nossa infância

filmes da nossa infância

Marcelo Rubens Paiva

25 Outubro 2012 | 11h23

 

Hoje passa no Vão Livre do MASP um dos destaques da MOSTRA de SP, o filme preferido da minha infância, ROBERTO CARLOS A 300 KM POR HORA.

Dirigido e produzido por ROBERTO FARIAS.

Junto com a inauguração de outro símbolo do Brasil dos anos 1960-70, a FEIRA DO AUTOMÓVEL.

Programa favorito de toda criança da época, pela quantidade de brindes e novidade.

Até para mim, criança caiçara do LEBLON, de família de esquerda, a feira e a Jovem Guarda eram tão importantes quanto o jogo de botão, SIMONAL, Chacrinha e a Seleção Brasileira.

Qual a relação?

O filme fala de 2 mecânicos que trabalham na oficina de um piloto brasileiro de fama internacional, que pretende correr um grande prêmio em Interlagos.

Depois de um grave acidente, um dos mecânicos acaba assumindo o posto do chefe e se apresenta como competidor mascarado.

Precursor da paixão do brasileiro pela FÓRMULA 1.

Uma espécie de Cyrano de Bergerac da terceira onda da revolução industrial [ôps, Hobsbawm, acabei de inventar este momento da história]: quando países subdesenvolvidos passam a se chamar “em desenvolvimento”, graças ao dinheiro sobrando lá fora, incrementam seus parques industriais, importam fábricas, as chamadas MULTINACIONAIS, e fabricam carros e geladeiras ao lado dos campos de grãos apostando no crescimento do mercado interno e poder de compra de uma classe média emergente.

O mesmo que o governo DILMA faz 50 anos depois.

A ligação de cantor com o cinema começou com FRANK BLUE EYES SINATRA [que deixa minha mãe até hoje atordoada, dançando sozinha na sala e de olhinhos vidrados].

SINATRA levou tão a sério a profissão, que virou ator denso e chegou a ganhar 1 Oscar.

ELVIS foi outro que se imortalizou rebolando em praias, asas de avião, cercados por meninas de maiô e laquê.

Vieram os BEATLES que interpretaram eles mesmos.

Nos trópicos, a galera da jovem guarda, como WANDERLEY CARDOSO e JERRY ADRIANO, tb abraçou o cinema para se promover e brincar de ator.

Eu tinha 9 anos, ouvia falar do AI-5, achava aqueles tropicalistas doidos demais, não tinha ideia do que era o cinema novo. Tudo que eu e meus coleguinhas do COLÉGIO ANDREWS em Botafogo queríamos era assistir à matine de POBRE PRÍNCIPE ENCANTADO, de WANDERLEY CARDOSO.

Dirigido por DANIEL FILHO e com enredo e roteiro de, surpresa… CACÁ DIEGUES.

 

Wanderley Cardoso em O Pobre Príncipe Encantado

 

Raul Cortez está no filme de hoje, ROBERTO CARLOS A 300 KM POR HORA.

Lembrei-me que no final dos anos 1980, eu e SÉRGIO RESENDE escrevemos o roteiro de um filme que seria estrelado por PAULO RICARDO e toda a trupe do RPM. Produção L.C.BARRETO.

Raul seria o vilão da história. E nossa musa, FERNANDINHA TORRES, a namorada do herói.

Chegamos a ensaiar. O filme entrou em processo de pré-produção.

Quando se pesquisavam locações, a banda surtou, entrou numa implosão de egos feridos e se desfez.

Deveríamos ter procurado a LEGIÃO na sequência. Surfista tínhamos [saía DELUQUE, entrava BONFÁ].

Problema era fazer do RR um galã estilo PR. Teríamos que um dar 1 AR MAIS SOMBRIO ao filme, algo mais para TARKOVSKI.

Mas neste caso os BARRETOS não iriam aprovar.

Posso falar? Seria um filmaço. O roteiro estava ótimo. Perguntem a FERNANDINHA, que tinha acabado de ganhar CANNES por EU SEI QUE VOU TE AMAR.

Mas a sina da maioria das bandas de rock é a implosão. Demoram pra perceber a BESTEIRA.

ALIÁS, sexta, também no vão livre, passa É SIMONAL, de DOMINGOS DE OLIVEIRA.

Sinopse: Fã do cantor Simonal viaja para o Rio de Janeiro esperando encontrar o ídolo. Passando-se por jornalista, consegue se aproximar dele durante um ensaio. Insólita comédia musical embalada pelo sucesso de Wilson Simonal nos anos 70. Reúne imagens antológicas do artista em shows na boate Sucata e no Maracanãzinho, onde regeu um coro extasiado de 35 mil pessoas – parte delas usadas no documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei (2009).

Hoje RPM voltou, FERNANDINHA virou colunista de jornal,  TARKOVSKI  é homenageado da Mostra nesse ano, e eu procuro gancho pra gastar o meu [e o seu] tempo.