e aí, levou?

e aí, levou?

Marcelo Rubens Paiva

28 Outubro 2012 | 11h49

Alguém é capaz de lembrar da primeira livraria do Brasil que incluiu entre as prateleiras um café com mesinhas e bolos?

Hoje é a norma. Compramos e xeretamos livros rodeados pelo aroma de café.

Combinação perfeita da relação leitor – livro, como já era da escritor – escrever.

Porque, diferentemente de outras atividades, ler requer concentração, cafeína no sangue, nada de distrações, e uma companhia silenciosa.

Acho que foi a LIVRARIA DA VILA, a da VILA, a primeira a ter uma cafeteria ao fundo.

A ARGUMENTO, do Leblon, foi também pioneira, com seu Café Severino, que serve também de local de exposição de fotos.

Para quem não sabe, Severino era o nome do porteiro do prédio da Dias Ferreira em que fica a loja.

Hoje, em todas as grandes cidades, inclusive nas praianas, virou programa obrigatório de sábado e domingo ir a uma grande livraria, dar um rolê.

Elas estão também na maioria dos shoppings.

No Conjunto Nacional, conjunto comercial na esquina da Paulista com a Rua Augusta, vi a pequena e cult Livraria Cultura se transformar.

Um dos seus segredos: ao invés de contratar vendedores do comércio, contratava universitários, estudantes de filosofia, letras e comunicações, que tinham repertório para discutir e indicar livros aos consumidores.

O sonho de muitos dos meus colegas de ECA – USP era trabalhar na Cultura.

Hoje ela se expandiu para o antigo e gigante Cine Astor em frente, sem fechar a loja em que tudo começou. Abriu 1 teatro, abriu 3 outras lojas no mesmo conjunto [uma especializada em artes, outra em livros didáticos de línguas e uma terceira em games], além de patrocinar duas salas de cinema abaixo e ser parceira da Mostra de Cinema.

 

loja de games

 

Suas filiais seguem o mesmo padrão.

A de Recife é fantástica; à beira do rio, ocupa um antigo armazém no Recife Velho e vive abarrotada.

Pedro Hertz, seu comandante, é um teimoso que nos inspira.

Numa época em que ninguém mais acreditava em livrarias [Brasiliense, Martins Fontes, Siciliano, Atica são algumas das que fecharam], num mercado que sofria com a inflação, o livreiro ao contrário apostou na expansão.

Ganhamos todos nós.

 

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Na entrada ontem, muito bem acompanhado:

 

 

Na saída. Levou?