Doria agrada esquerda ao vetar nome de Tuma

Doria agrada esquerda ao vetar nome de Tuma

Marcelo Rubens Paiva

10 Abril 2017 | 11h47

decada 1940 - ponte das bandeiras (1) 32e27027a5c999c720f03889cfecdc4eConsiderado como o candidato preferido da direita à presidência ou governo, a nova estrela em ascensão do tucanato, o prefeito de São Paulo, dessa vez deve receber aplausos da esquerda.

Vetou o nome de Romeu Tuma à ponte das Bandeiras [ícone arquitetônico que levou o desenvolvimento para a zona norte, reinaugurada nos anos 1940 por Getúlio Vargas].

Segundo informações da Folha de S. Paulo [Mônica Bergamo], por motivos políticos.

O ex-senador foi também o controvertido diretor do DOPS [de 1977 a 1982], responsável pela repressão a estudantes do Movimento Estudantil [interrogou três das minhas quatro irmãs, depois da invasão da PUC].


Trabalhava no mesmo prédio, acima da sala, do mais temido delegado e acusado de tortura, Sérgio Fleury.

Em 1982, tornou-se superintendente da Polícia Federal, responsável pela censura de roqueiros como Blitz, Leo Jaime, Lobão, Inocentes, Capital Inicial, nos tempos da redemocratização.

Não consta que tenha torturado alguém.

Segundo o ghost-writer de Romeu Tuma Jr., filho de Tuma, Claudio Tognolli, do site Yahoo [escreveram juntos o livro Assassinato de Reputações], a notícia “abriu uma guerra” entre a família Tuma e o prefeito João Doria.

“Tuma Junior nunca foi adulado pelos tucanos. Quando investigava a máfia dos fiscais, sob a prefeitura de Celso Pitta, Tuma Jr. chegou no nome de um tucano de alta plumagem, como acusado. O tucano ocupava um alto cargo no Banespa, que virou Santander.  Depois de ter investigado o tucano, Tuma Jr. foi removido para uma delegacia em Taboão da Serra, na periferia de São Paulo. Deu sorte: foi ali perto a desova do cadáver do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Foi Tuma Jr. a primeira autoridade a chegar na cena da desova.”

No governo petista, Tuma foi acusado de participar ativamente na ocultação de cadáveres de assassinados sob tortura.

A descoberta e identificação da ossada do médico nazista Joseph Mengele tornou-o popular.

Foi eleito senador por SP em 1994.