Doria segue cartilha de Trump

Doria segue cartilha de Trump

Marcelo Rubens Paiva

10 Outubro 2017 | 11h07

 

Doria já é candidato à Presidência de 2018.

E segue passo a passo o manual eleitoral de alguém como ele, apresentador de TV, rico, não político, que chegou à Presidência dos EUA.

Desacredita tudo o que existiu antes dele.

Como Alberto Goldman, militante contra a ditadura, da antiga ala comunista do antigo MDB, segundo deputado estadual mais votado de 1974, deputado federal eleito seis vezes (1979-1983, 1983-1987, 1991-1995, 1995-1999, 1999-2003 e 2003-2006).

Doria, que nunca antes de 2016 se elegera a nada, o chamou de acomodado, “fracassado”, “improdutivo”, de estar sempre à sombra.

Goldman é fundador do PSDB. Foi vice-governador de SP e governador (2010-2011).

Trump tem uma relação conturbada com históricos do Partido Republicano. Venceu-os nas primárias.

Doria derrotou na convenção o candidato à Prefeitura do Palácio dos Bandeirantes e da ala histórica do PSDB, Andrea Matarazzo.

A relação conturbada de Doria com o PSDB começou em 1989, quando foi flagrado fazendo campanha para Collor, enquanto o candidato do partido era Covas, seu padrinho político, que depois apoiou Lula no segundo turno.

Eleito prefeito de São Paulo, aproximou-se mais da direita (como Trump), elegeu Lula seu sparing (o que Trump fez de Hillary), assumiu o discurso conservador de outro candidato, Jair Bolsonaro.

Defende a privatização dos serviços, como Trump.

Como Trump, usa mídias sociais sem economia.

Por vezes, de forma atabalhoada, o que o humaniza.

E não sai do foco: está sempre na manchete, nas capas, consegue três a quatro lides por dia de matérias que falam dele e suas ações, muitas delas falsas, mentindo ou não, expondo-se ao ridículo ou não, polêmico ou não, pouco diplomático ou não.

Anuncia ações do seu governo por ela; chegou a demitir uma secretária, Soninha, por um vídeo postado.

O importante, como Trump, é nunca deixar que NÃO falem dele.

Apesar de ser casado com uma artista-plástica, defendeu a censura da exposição de 250 artistas, a Queermuseu, e de uma performance no MAM.

Sua tática é atacar o extremo, o petismo, roubando aliados de outro extremo, do bolsonarismo, associando-se a uma nova direita, o MBL.

Históricos do partido que nasceu da aliança de combatentes da ditadura com a USP, não confiam nele.

Não tem problema. Doria se aproximou do DEM, que o quer em suas fileiras.

O sucesso subiu à cabeça. Não aparenta ser o poste de alguém ou de um grupo.

Se Trump conseguiu, contradizendo todas as previsões, por que Doria não conseguiria?

O que chamam de poste na verdade quer ser uma rede de distribuição.