Democracia brasileira está doente

Democracia brasileira está doente

Marcelo Rubens Paiva

08 Agosto 2017 | 12h36


 

O que está para acontecer entre hoje e 2018 merece atenção.

A ovada que Doria recebeu em Salvador, terra em que o petismo mantém a popularidade alta, é um sinal de que a campanha eleitoral para a presidência será radicalizada.

Um retrato do país polarizado, dividido.


Uma parcela da população não convive bem com o oposto.

Para ela, o adversário merece escracho, vaia e ovo.

A urna não basta para punir ou revelar o desejo de um eleitor.

Até porque muda-se de lado como se muda de camisa.

São tristes as cenas que começaram em 2013, quando pessoas comuns passaram a agredir verbalmente em restaurantes, bares, filas de check-in, dentro de aviões, alvos com (qualquer) comprometimento político.

De cantores populares, como Chico Buarque, comediantes, como Gregório Duvivier, atores, como Zé de Abreu, a políticos, ministros, congressistas, deputados, senadores, ex-ministros, delatados, delatores.

Alguns respondem com cusparada.

Outros respondem com argumentos.

A maioria ignora.

Guido Mantega foi o primeiro alvo conhecido. Em restaurante de Brasília.

Foi xingado por um “anônimo” comensal.

Jaques Wagner, Patrus Ananias, Romero Jucá, José Dirceu, Eduardo Cunha, Paulinho da Força, Mercadante, Gleise Hoffmann, Fernando Pimentel, Bolsonaro…

A lista é grande.

E não vai parar.

É um triste legado da crise política brasileira, das incongruências das leis, das decisões judiciais contestáveis e polêmicas.

Que deu num ceticismo sem precedentes.

O assédio jurídico e institucional gerou o assédio do eleitor comum.

Antes, votávamos, e fim de papo.

As contradições nos tribunais, encontros secretos entre juízes, ministros e políticos, deixam uma população desconfiada.

Todas as instituições estão sob suspeita.

Até as insuspeitas, como as cortes superiores (STF, STJ, TCU, TSE).

Até as entidades de classe (Fiesp, CNI, CUT, CGT, Força).

Até a decisão das urnas pode ser cassada por uma corte manipulada, suspeita, ou, na linguagem popular, “vendida”.

A democracia enfraqueceu, como um osso com osteoporose.

Ou se rompe, ou prótese nele; numa cirurgia radical.

Salvemos a democracia.

Oremos pelo Brasil.