Colonização holandesa no Brasil em quadrinhos

Colonização holandesa no Brasil em quadrinhos

Marcelo Rubens Paiva

04 Maio 2017 | 11h11

 

André Toral é o exemplo do bom casamento entre arte & mundo acadêmico.

De um lado, o quadrinista de 57 anos tem o DNA de uma incrível família de artistas (Tarsila do Amaral entre elas).


Do outro, antropólogo mestre da UFRJ, morou com índios e rema pelos afluentes da História, com doutorado da USP.

Publica agora Holandeses (editora Veneta); lançamento sábado, 6 de maio, na Livraria da Vila (Pinheiros).

Que tem como pano de fundo a invasão holandesa no Brasil do século 17 no Nordeste, através de dois personagens, Cástor e Esaú, irmãos que tentam a sorte pelo Novo Mundo.

 

 

Toral foi consultor da Funai, especialista no povo Karajá, Javaé, Avá-Canoeiro e Tapirapé.

E fez quadrinhos aclamados sobre a Guerra do Paraguai (em que ficou anos debruçado, numa pesquisa preciosa), Uma História da Guerra do Paraguai (Cia das Letras), Adeus Chamigo Brasileiro, Os Brasileiros (Conrad).

Adepto do lápis de cor, hoje usa aquarela.

Holandeses fala de dois irmãos judeus sefarditas, de origem portuguesa, que viviam em Amsterdã na época do século de ouro holandês, graças aos moinhos.

Vieram a Pernambuco na grande ocupação promovida por Maurício de Nassau, em que holandeses aportaram em Olinda e dominaram a maior parte do território nordestino entre 1637 e 1654, retomando o comércio de açúcar e causando uma revolução nas cidades, modernizando-as.

Os irmãos vivem de arte (pintura) e comércio (de escravos).

Acreditam na vinda do Messias e buscam aqui sinais da sua chegada.

Trafegam entre índios e descendentes de judeus do interior do Brasil.

Holandeses é a volta de André Toral, atualmente professor na FAAP, ao formato álbum.