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Ciclovias ameaçadas, ‘bicicletada’ agendada

Marcelo Rubens Paiva

20 Abril 2017 | 12h13

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A administração Doria pretende alterar algumas ciclovias de São Paulo: adotar a rota sem divisão entre carros e bicicletas.

Cita duas em particular, as da Vila Prudente e Rua da Consolação, perigosa, segundo secretário de Transporte, Sérgio Avellada.

Seriam trocadas por ciclorrotas, já tentadas por Kassab, sem a demarcação da bicicleta no asfalto, mas com sinalização e lombadas.

Ativistas protestam: Doria quer apagar ciclovias.

Mudar ou apagar?

Ciclistas já marcaram uma noite de protesto na Paulista, #CicloviaSimRetrocesoNão, na próxima sexta, dia 28/04 (das 19h às 22h).

A “bicicletada” já tem página do Facebook e manifesto:

 

PREFEITO JOÃO DORIA: CICLOVIA SIM, RETROCESSO NÃO

A gestão João Doria, em atitude totalmente em desacordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana e com as tendências executadas em grandes cidades mundiais, anuncia que irá apagar ciclovias da cidade e, no lugar, apenas fazer indicações de ciclorrotas.

Sabemos que a ciclorrota no mundo ideal, em que motoristas respeitam as leis de trânsito e a fiscalização funciona, são soluções excelentes. Porém basta pedalar pelas atuais ciclorrotas de São Paulo, como a da R. Comendador Elias Zarzur em Santo Amaro ou a Alameda Jaú, na região da Paulista, pra saber que em São Paulo elas não representam segurança alguma ao ciclista, principalmente aos mais frágeis, iniciantes ou que necessitam de maior segurança, como mães e pais com crianças e idosos.

A falta de fiscalização no trânsito de São Paulo é um problema grave,pois, como é sabido há anos, há uma baixa quantidade de agentes da CET nas ruas: cerca de 2 mil agentes que tem de dar conta da cidade inteira (http://www.destakjornal.com.br/noticias/sao-paulo/cidade-precisa-de-60-mais-marronzinhos-no-transito-21916/). Como acreditar que as novas ciclorrotas propostas pela gestão Joâo Doria, que contarão apenas com plaquinhas e marcas no solo, vão ser seguras?

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o secretário de Transportes e “Mobilidade” Sérgio Avelleda propõe substituir a ciclovia da Consolação (sentido centro) diz: “Na descida, é muito arriscado, gera velocidade e tem entrada para hotel, lojas, ruas, concessionária”. Ou seja, o secretário, ao invés de exigir que os motoristas respeitem o ciclista na ciclovia e tomem cuidado nas conversões, como diz a lei, considera que o problema é a ciclovia. Qual o sentido de achar que retirando a ciclovia o ciclista ali será mais respeitado? Como dizer para pessoas como mães e pais com crianças, idosos e iniciantes que poderão pedalar tranquilamente na Av. da Consolação sem ciclovia?

E, para defender a ideia das ciclorrotas, o secretário afirma que “Tudo que é novo tem resistência”. Acontece que a ideia proposta não é nova, é uma solução velha e ineficaz, que obviamente não está considerando prioritária a segurança do ciclista.

Nenhum centímetro de ciclovia a menos. Por uma gestão pública que incentive de verdade a mobilidade ativa e a humanização das cidades.

João Doria: ciclovia sim, retrocesso não!

 

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