as verdades

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Marcelo Rubens Paiva

26 Outubro 2012 | 17h25

O livro novo já está nas livrarias.

A capa é demais de boa, rapá [mais abaixo]!

Mó orgulho.

Trechos de alguns comentários:

 

Marta Mendonça, da REVISTA ÉPOCA

Marcelo Rubens Paiva lançou recentemente um novo livro, uma coletânea de contos e crônicas sobre relacionamentos. A crônica que dá origem ao título e se chama “Isso é o que ela diz” lista frases que nós, mulheres, costumamos dizer – sem que sejam necessariamente realidade…

Impossível não se identificar com pelo menos algumas. Confira:

– Amor, não precisa ter ciúme. Ele é gay.

– Eu não demoro, nem vou lavar o cabelo.

– Não sei de onde veio essa batida no para-lama.

– Hoje eu tenho uma reuniãozinha com as amigas, até te convidaria – mas só vão as meninas.

– Já estou chegando. Estou aqui na esquina.

– Ai, adoro sua barriguinha.

– A próxima conta eu pago.

– Chico? Gato? Ele é meio velho…

– Adicionei porque é um cliente. Ia pegar mal ignorar.

– Eu não estou bêbada.

– Pode deixar que eu tenho dinheiro pro pedágio.

– Só vou olhar, não vou comprar nada.

– Eu não estou gritando!!

– Estou de regime. Só vou provar.

– É claro que eu gozei. Você não reparou?

Você acrescentaria mais alguma?

 

Martha Mendonça é editora-assistente de ÉPOCA no Rio de Janeiro.

 

Felippe Franco, do site SRZD, do Sidney Rezende:

 

Em livro, Marcelo Rubens Paiva volta a explorar universo feminino: ‘Me fascina’

O escritor Marcelo Rubens Paiva voltou a explorar o universo feminino no seu novo livro, “As Verdades Que Ela Não Diz”, lançado no início deste mês. A obra é uma coletânea de contos e crônicas que abordam assuntos como relacionamento, infidelidade e ciúme. Em entrevista ao SRZD, o autor explicou a atração pelo tema: “A transformação do papel da mulher na sociedade me fascina”.

Descontraído, Marcelo explicou que a complexidade do assunto acaba lhe dando uma gama maior de possibilidades. “Casais que se juntam mas não se casam, ciúmes, posse, mulher que tem amigos gays, como o marido vê isso… São várias histórias que nascem dessa forma”, disse o escritor. “É um bufê de salada que você pode fazer a mistura que quiser”, brincou.

Comemorando os 30 anos do lançamento do seu primeiro livro, “Feliz Ano Velho” (1981), que narra o período após o acidente que o deixou tetraplégico, o autor revelou que pensa em voltar a escrever sobre sua vida. “Tenho tido muita vontade ultimamente. Na ficção coloco histórias que vivi, meus pensamentos, mas talvez eu coloque algo mais ligado à memória no próximo livro”, explicou Paiva.

Mesmo com dez livros publicados e acumulando as funções de dramaturgo e colunista do jornal “Estado de S. Paulo”, Marcelo confessou que não segue uma rotina de trabalho. “Procuro escrever de manhã, mas nem sempre dá certo”, contou. “Sou boêmio, vai saber a qualidade do uísque, né”, brincou.

Confira a entrevista completa:

SRZD – Seu primeiro livro retratou uma passagem da sua vida. O quanto da sua história é ficcionado na obra?
Marcelo Rubens Paiva – Na verdade, o autobiografado ficciona não uma história, mas um jeito de ser, que nós nos comportamos. Por exemplo, em determinado momento, eu fiquei em silêncio na vida real e, no livro, inventei uma frase genial ou um pensamento. Acho que a gente dá uma aprimorada na nossa própria personalidade. Lembro de um episódio do Seinfeld em que o George lembrava como responder uma pergunta provacativa só no dia seguinte. Escrever livro é assim.

SRZD – Você pensa em voltar a escrever abertamente sobre sua vida?
MRP – Acho que sim, tenho tido muita vontade ultimamente. Tenho escrevido muito pouca sobre ela. Claro que a ficção acabou substituindo o relato pessoal. Na ficção coloco histórias que vivi, que ouvi falar, meus pensamentos mais obscuros, mas talvez eu coloque algo mais ligado à memória no próximo livro. Tenho vontade de escrever sobre o Brasil nos anos 70, 80, pois estava presente no olho do furacão. Pode ser que seja na primeira pessoa, pode ser um personagem, ainda não sei.

SRZD – “Feliz Ano Velho” é uma grande referência. Queria saber a importância que ele tem para você hoje e se quando o escreveu imaginava o sucesso que faria.
MRP – Não imaginava nada. Estava no primeiro ano da faculdade de jornalismo da USP, tinha trancado a Unicamp por causa do acidente. O livro foi uma encomenda do editor da Brasiliense, Caio Graco, que pediu para escrever sobre o período. Ele achava que literatura fazia bem para exorcizar, desabafar, e também pediu porque intuiu que, depois da abertura política, muitos relatos dos sobreviventes da ditadura interessariam aos leitores que viveram o império da censura.

SRZD – Seu novo livro aborda o universo feminino, assim como em outras obras suas até mesmo no teatro. Por que esse tema te fascina tanto?
MRP – A grande transformação do papel da mulher na sociedade, do núcleo familiar, me fascina. A todos os escritos contemporâneos. O casamento sofre interferência dos desejos da mulher, a mulher conquista o trabalho e sua independência, inclusive afetiva. É um periodo muito rico para todos os escritores abordar essa nova realidade, casais que se juntam mas não se casam, ciúmes, posse, mulher que tem amigos gays, como o marido vê isso… São várias histórias que nascem dessa forma. É um bufê de salada que você pode fazer a mistura que quiser.

SRZD – Você tem algum texto que considere seu favorito em “As Verdades Que Ela Não Diz”?
MRP – Tem um que eu tenho muito carinho, que inclusive nem é muito sobre relação. “O Tio e a Gravidade”, o último. É um papo entre um tio que acabou de ser abandonado pela mulher e a sobrinha. É um texto super delicado, me lembra o clima de “Peixa Banana”, do Salinger, que o Paulo Francis dizia que era o melhor conto do século XX. Mas gosto de todos. É que é diferente, pois não é sobre um casal.

SRZD – Você já teve trabalhos que viraram filmes. Qual a sensação de ver essa transição? Tem alguma outra peça ou livro que gostaria de ver adaptada para o cinema?
MRP – Eu gostaria de ver tudo adaptado para o cinema, mas gosto de ver bem adaptado, por isso faço questão de fazer sempre parte da equipe de roteristas. Tem muita gente interessada desde o “Feliz Ano Velho”. Eu lancei em dezembro e em fevereiro já tinha assinado contrato para filmar. É muito bacana você ver uma obra em outra linguagem.

SRZD – Seus livros tem uma linguagem bastante coloquial. Você sofre ainda sofre algum tipo de questionamento por isso?
MRP – Sofri muito na década de 80, fui chamado de subliteratura. Era uma linguagem que não era novidade. O [Paulo] Francis e o [Fernando] Gabeira escreviam assim. A galera da época já utilizava essa linguagem, eu só fui mais radical, tive a mão pesada para quebrar a norma culta. Uma grande geração de escritores acabou se aproveitando, inclusive o jornalismo, com titulos mais informais.