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A Legião voltou

Marcelo Rubens Paiva

28 Agosto 2015 | 11h48

Logo depois de enterrar RENATO RUSSO, numa cerimônia discreta em 11 de outubro de 1996, seu amigo e parceiro de longa data, o guitarrista DADO VILLA-LOBOS, nos braços de quem Renato morreu, recebeu um telefonema de um advogado.

Em nome da família, anunciava que tanto ele quanto o baterista BONFÁ estavam proibidos de tocar e usar a marca que ajudaram a fundar: LEGIÃO URBANA.

A batalha pelo direito de tocar as músicas durou quase 20 anos.

O litígio com o filho de Renato, GIULIANO MANFREDINI, em nada lembrava os ideais do pai, que consideravas a banda, amigos e fãs uma legião em luta por um mundo platônico, idealizado e sem preconceitos.

Em 2014, o conflito se acirrou.

A página que ocupa o endereço legiaourbana.com.br, foi feita pela empresa Legião Urbana Produções Artísticas, controlada por Manfredini e detentora da marca Legião Urbana, sem o consentimento de Dado e Bonfá.

Enfim, a 7ª vara empresarial do Rio de Janeiro deu ganho de causa aos músicos: em 28 de outubro de 2014 foram autorizados judicialmente a utilizar  comercialmente a marca Legião Urbana.

Estabeleceu que os ex-integrantes “foram fundamentais na consolidação do sucesso alcançado pelo grupo e que, portanto, devem gozar dos mesmos benefícios do herdeiro de Renato”: “Por certo, os autores são ex-integrantes da banda e contribuíram durante toda a sua existência, em nível de igualdade com Renato Russo, para todo o sucesso alcançado. Assim sendo, não parece minimamente razoável que não possam fazer uso de algo que representa a consolidação de um longo e bem sucedido trabalho conjunto – reconhecido por milhões de fãs…”

Caso Giuliano descumpra a sentença estará sujeito a uma multa de R$50 mil reais.

Dado e Bonfá conseguiram os direitos de tocar LEGIÃO e vão se apresentar a partir de outubro, em turnê, num show dirigido pelo grande diretor teatral, FELIPE HIRSCH.

A banda LEGIÃO já ensaia em estúdios do RIO, por onde começa a turnê.

A dúvida era: quem cantaria? Barbada.

A decisão não podia ser outra: André Frateschi, o Andrezinho [acima no meio dos 5, de camisa vermelha], filho da grande atriz Denise Del Vecchio.

André, ator que trabalhou no teatro com Monique Gardenberg, em filmes, novelas e séries, há muito toca com a mulher MIRANDA KASSIN em shows pelo circuito alternativo e do grupo S [Sesc, Sesi].

Ela lotava o saudoso Studio SP cantando Amy Winehouse, e ele lotava com o show HERO cantando Bowie.

Ambos, considerados o “casal hit”, têm o projeto MIRANDA KASSIN & ANDRE FRATESCHI:

http://www.mirandaeandre.com.br/site/

Já lançaram disco próprio e em shows interpretam Tom Waits, Lou Reed, Neil Young, Etta James, Nancy Sinatra, Rita Lee e Robert Cray, além de Amy e Bowie.

ANDRÉ promete surpreender.

Me disse que não vai “macaquear” (imitar) RENATO, que conheceu quando criança – junto com a mãe, que fez minha mãe EUNICE na peça FELIZ ANO VELHO, vivia com violão nos camarins do teatro, que Renato, meu amigo, também frequentava.

Uma vez em Campinas, LEGIÃO e a peça FELIZ ANO VELHO se apresentaram juntas na abertura do ginásio da UNICAMP.

Mas ANDRÉ, que redescobre a banda que ama e amou, especialmente as músicas dos últimos discos, sabe que para ser RENATO no palco precisa ir além.

E promete ir.

Força, queridos.

Estarei no gargarejo, como no passado. Matando as saudades.