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Cultura » A gozação da Odebrecht

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Marcelo Rubens Paiva

23 Março 2016 | 12h50

Os intrigantes e criativos apelidos da Odebrecht demonstram um desprezo pela classe política que financia (legalmente) em doações de campanha ou corrompe.

Uma ironia com o próprio Brasil e as relações promíscuas com o governo.

As planilhas da empreiteira recolhidas  em fevereiro de 2016 pela PF com dados de mais de 200 políticos de 18 partidos, na 23ª fase da operação Lava Jato, batizada de “Acarajé”, são detalhadas.

Nem todos ganharam apelidos.

“Feira” já era manjado (o baiano marqueteiro João Santana).

Os apelidos dos que ganharam são mais intrigantes do que a própria planilha.

Quem os deu foi um homem. Prova?

Manuela D’ávila, a musa do PCdoB, recebeu um apelido nada sutil: “avião”.

Do PMDB. Eduardo Cunha é “carangueijo” com “i”. Anda de lado? Sérgio Cabral, “proximus”. Eduardo Paes é o “nervosinho”. Por que será? Renan Calheiros, “atleta”.

Jarbas Vasconcelos Filho, “viagra”. Opa… Fabio Branco, “colorido”. Trocadilho infame.

Romero Jucá é “cacique”.

Edvaldo Brito, do PTB, “candomblé”.

Daniel Almeida, do PCdoB, ganhou um apelido óbvio: “comuna”. Melhor seria “maoista”, para delinear a linha comunista adotada pelo PCdoB anos atrás.

Paulo Magalhães, do PSC, um intrigante: “goleiro”.

E Raul Jugman, do PPS, “bruto”.

Criativos…

Tem mais.

Jaques Wagner é o “passivo”, Sarney, o “escritor”, Humberto Costa é “drácula”, Lindbergh Farias o “lindinho”. Esses são meio óbvios.

Explicarão tais apelidos nas delações premiadas?

Na lista da secretária Maria Lúcia tem mais: kafka, piqui, crente, M & M, taça, babaçu, jacaré…

Estão de gozação.