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Zulawski (1940-2016), o cineasta da possessão

Luiz Zanin

18 fevereiro 2016 | 08:44

Isabelle Adjani, em Possessão, talvez o melhor Zulawski

Isabelle Adjani, em Possessão, talvez o melhor Zulawski

 

 

Morreu ontem, aos 75 anos, o cineasta polonês Andrzej Zulawski, conhecido pelos filmes que fez na França, em especial Possessão, com Isabelle Adjani. O diretor sofria de câncer. A notícia da morte foi confirmada pela Associação de Cineastas Poloneses.

Embora natural da Polônia, Zulawski estudou no IDHEC, em Paris, e voltou à sua terra natal para ser assistente de Andrzej Wajda. Estreia com um filme sobre a guerra e outro, Diabo, já com tonalidades fantásticas que caracterizariam sua obra.

Fugindo à censura do governo polonês, Zulawski volta à França onde se estabelece e passa a trabalhar. Fez seu nome com filmes de uma radical beleza, como O Importante é Amar (1974) e Possessão (1980), este com uma Isabelle Adjani no auge da beleza e, de fato, possessa, como promete o título.

Casado com a atriz Sophie Marceau, com quem teve um filho, Zulawski dedicou à mulher quatro filmes, dos quais se destacam L’Amour Braque (1985) e Fidelidade (1999), um poema de amor louco em versão cinematográfica. Outro título bem recebido foi Minhas Noites São Mais Belas que Seus Dias (1989). Já Boris Godounov (1989) e La Note Bleue (1991)não tiveram a mesma acolhida. Seu último filme, Cosmo (2014), é pouco conhecido no Brasil.

Uma carreira irregular não significa fracasso. Apenas falta de continuidade, o que às vezes acontece com os maiores talentos dentro da indústria cinematográfica. Os pontos altos de Zulawski o colocam na história do cinema, que, esta, nada tem a ver com a indústria. Fica como cineasta radical, inventor de linguagem, à vontade em temas fortes e artífice de um erotismo profundo, porém nada vulgar. Vale rever Possessão, talvez sua obra mais bem sucedida. E vale, não apenas por Adjani.

 

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