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Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência

Luiz Zanin Oricchio

21 Maio 2015 | 21h12

Embora bem conceituado pela crítica, o sueco Roy Andersson surpreendeu ano passado ao ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Ainda mais por um filme que se chama, simplesmente, Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência. Houve um certo consenso entre os jornais para chamá-lo de “O Pombo Sueco”. Mais simples. O título oficial é uma pista – Roy trabalha com o nonsense, o absurdo da vida. E o faz aplicando um estilo rigoroso, porém um tanto frio. Seu humor é cortante como o vento de inverno em Estocolmo.

Na história, formada por painéis, como quadros em uma exposição, dois personagens principais servem como fio narrativo. São como Quixote e Sancho Pança contemporâneos, pobres-diabos que tentam vender artefatos para provocar o humor. Tais como máscaras supostamente engraçadas, dentes de vampiros ou sacos de risadas (“o nosso clássico”, dizem). São patéticos. E é dessa forma que o diretor os retrata.

Não mais patéticos que as situações que atravessam. Um homem morre numa lanchonete e a garçonete oferece, grátis, o lanche que ele encomendara. A moribunda agarrada à sua bolsa de joias. O marido que enfarta enquanto a esposa cozinha ao lado. Humor negro, como a dizer que a vida ou a morte já não significam grande coisa. É um filme da crise, falsamente engraçado e de visual inspirado em Hopper e Brueghel. Dá o que pensar.

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