Simone de Beauvoir, bela mas não recatada ou do lar
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Simone de Beauvoir, bela mas não recatada ou do lar

Luiz Zanin Oricchio

12 Outubro 2016 | 14h54

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“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. Essa frase, oposta à tese freudiana da “biologia como destino”, serve de divisa ao movimento feminista até hoje. No DVD Simone de Beauvoir e o Feminismo temos três oportunidades para conferir o pensamento e atuação de sua autora, a filósofa francesa às vezes, do ponto de vista bem machista, mais conhecida por seu relacionamento (aberto) com Jean-Paul Sartre do que por sua militância e suas ideias próprias e bem fundamentadas.

É pena, porque está mais do que na hora de resgatar tanto a trajetória de vida quanto o pensamento de Simone em relação à condição feminina. Os três documentários de que se compõe o DVD abordam essas questões por ângulos diversos.

Uma Mulher Atual (2007, 52’), de Dominique Gros, é mais panorâmico e abrange vários temas. Aborda diversas facetas da vida intelectual de Simone: sua relação com Sartre, o existencialismo como filosofia do pós-guerra, o ativismo político como condição ética do engajamento, sua experiência como ficcionista, as viagens que fez pelo mundo (inclusive Brasil).


Em Por que Sou Feminista (1975, 50’), de Jean-Louis Servain-Schreiber, o próprio título já indica o foco: trata-se de esmiuçar as ideias de seu revolucionário livro  O Segundo Sexo, marco teórico do feminismo do século 20.

Já em Simone de Beauvoir Fala (1959, 40’), de Wilfred Lemoine, a filósofa é entrevistada em Paris pela Radio Canadá e se exprime sobre múltiplos assuntos: existencialismo, religião, casamento, amor livre, etc. Simone falava e pensava com velocidade de metralhadora e não evitava assuntos tabus. A emissão foi censurada na época por pressão do arcebispo de Montreal.

Simone de Beauvoir (1908-1986) não era mesmo do tipo bela, recatada e do lar. Era uma tremenda mulher.

 

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