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Selvageria no cinema

Luiz Zanin Oricchio

12 Março 2014 | 14h28

A história me foi contada por um amigo. Não cito os nomes dos personagens porque não pedi permissão. Mas é tudo verdade e dou fé. O caso se passou em Campinas. Ou melhor, num cinema de Campinas. Num ótimo cinema de Campinas, me dizem, frequentado pela fina flor local.

Um casal assistia a um filme, enquanto outro casal, sentado à frente, não largava o celular. Conversavam, ouviam música, tuitavam, o diabo. O casal que tinha entrado na sala para ver o filme pediu para a dupla da frente que desligasse o celular. Responderam com quatro pedras na mão.

Mas o pior foi na saída. Quando a sessão terminou, o casal-celular saiu na frente e ficou esperando os outros, já transformados em desafetos. Partiram para agressão física, machucaram muito a dupla que apenas queria assistir ao filme, o segurança interveio e todos foram parar na delegacia. Onde foi lavrado um B.O. e etc. Conhecendo-se a justiça deste país, teme-se que não dê em nada.

Agora pergunto: onde fomos parar? Aonde nos levou essa suposta “civilização”?


As brigas de trânsito já chegaram à barbárie. Não se pode mais ir a um campo de futebol. Agora a coisa está insuportável dentro dos cinemas. As pessoas se comportam como se estivessem em casa, ignorando que uma sessão de cinema é um ato público. Ou seja, temos de levar em conta a presença dos outros. E ninguém tem o direito de reclamar, sob ameaça de levar porrada. É o fim da picada.

Não tenho nenhuma grande teoria sobre esses casos, que estão se multiplicando. Só acho que a organização social da nossa bela civilização capitalista, na qual somos todos livres para escolher e blábláblá, levou a tensão a níveis tão insuportáveis que por qualquer ninharia a coisa transborda.

E, então, o brucutu que temos dentro de nós vem à tona. Isso não desculpa a agressão. Essa gente tinha de ir em cana. Porque se cada um de nós tem um troglodita enrustido, é melhor controlá-lo. Ou arcar com as consequências.

O fato é que vivemos num vale-tudo insuportável.

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