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Roma eterna

Luiz Zanin Oricchio

16 Março 2009 | 09h45

Ontem à noite, depois do futebol, fui ao Cinesesc rever Roma de Fellini. Duas boas surpresas: o cinema, que continua o mais simpático de São Paulo, repaginado sem perder sua personalidade. No hall, pufes espalhados pelo chão, um vídeo rodando permanentemente uma entrevista com Mimmo Cattarinich (que ganha exposição de fotos), e lá dentro o barzinho envidraçado de onde se pode ver o filme. E as poltronas felizmente ainda sem apoio para a Coca-Cola e a pipoca. A segunda surpresa foi o grande número de espectadores que saiu da sessão anterior (Satyricon) e do número igualmente expressivo de pessoas que esperava por Roma, apesar do horário tardio do domingo, segunda-feira pela frente, etc. Fellini é sempre Fellini.

Quanto ao filme, continua intacto em sua força e inventividade. Quanta liberdade ao fazer esse mix de documentário e memorialismo! Um filme em camadas, geológico, ou melhor, arqueológico, que se lê também como um mosaico,compondo suas partes num todo que só a nós, espectadores, cabe concluir. Outro aspecto: Fellini, dos anos 70 em diante, se aproximava cada vez mais da grande tradição pictórica do seu país. Seus filmes são como pinturas – e portanto só ganham sua real dimensão na tela grande, para a qual foram pensados. Uma noite recompensadora. Em especial para quem, por dever de ofício, é obrigado a ver tantos filmes ruins.