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Robinho e a invenção

Luiz Zanin Oricchio

18 Outubro 2007 | 12h29

Duas jogadas de Robinho na partida de ontem me fizeram lembrar uma antiga conversa com o escritor João Antonio. Fui à casa dele entrevistá-lo sobre literatura mas acabamos falando sobre sinuca, uma paixão comum. E, falando em sinuca, era inevitável que o nome de Carne Frita, o mitológico jogador das noites de São Paulo, fosse lembrado. “O incrível não era o que o Frita fazia”, dizia João. “O incrível é que ele pensasse que aquilo que fazia era possível de ser feito”. Aquelas entortadas do Robinho em cima do jogador do Equador, que deram origem ao gol de Elano, estão nessa ordem de grandeza. Talvez nem mesmo Robinho soubesse que aquilo era possível. Ele fez, e pronto. Claro que o jogo de ontem teria de ser analisado pelo ângulo coletivo (e, apesar dos 5 a 0, eu não me iludo porque o adversário é fraco demais). Mas se há um jogador naquele time capaz de pensar o impossível, esse é Robinho. Se fizesse jogadas como aquela com mais freqüência (como fazia na Vila Belmiro) seria tido como gênio na Europa.