Programa de gala do Festival Latinoamericano de São Paulo
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Programa de gala do Festival Latinoamericano de São Paulo

El Invierno, da Argentina, Jesus, do Chile, Apto. 420 e Para Ter Onde Ir, ambos do Brasil, são as atrações de hoje no Festival Latinoamericano de São Paulo. Uma programação imperdível, no Cinesesc

Luiz Fernando Zanin Oricchio

30 Julho 2017 | 13h08

O argentino ‘El Invierno’

Vou me limitar à programação do Cinesesc, para dizer que há quatro filmes seguidos que valem ser vistos. Um programaço do Festival de Cinema Latinoamericano de São Paulo.

Às 14h20, começa com O Inverno, do argentino Emiliano Torres. Ambientado na Patagônia, é uma obra belíssima. Mostra a vida dos pastores de ovelhas, em trabalho árduo num ambiente tanto belo quanto hostil. Mas é sobre as relações de trabalho precárias que o longa se debruça, sem qualquer cacoete de obra de denúncia social.

Jesus, do chileno Fernando Guzzoni, passa às 16h40. Não espere questões religiosas. Muito pelo contrário. Jesus é o nome de um adolescente de periferia, que ronda o mundo do crime. Aqui, a estética é de realismo cru, câmera na mão, acompanhando os personagens. Em especial o adolescente que, apesar do nome, frequenta ambientes pouco cristãos. Poucas vezes a solidão de um jovem foi mostrada com tanto impacto.


Às 19h, um filme surpreendente, o brasileiro Apto. 420, de Dellani Lima. É um documentário sobre a descriminalização da maconha, que se expressa através de uma linha ficcional. Trabalha na fronteira. Ouve estudiosos, mas não abandona a linha dramatúrgica em que um rapaz resolve escrever um livro num período de “seca” da erva em São Paulo. Apresenta ideias interessantes, tem graça e surpresa. Mescla profissionais e amadores num típico filme de brodagem, mas que ultrapassa esses limites.

Para terminar, às 21h20, Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro. Numa trip feminina e feminista, três mulheres de temperamentos diferentes põem o pé na estrada em busca…de quê? A obra é suficientemente aberta para deixar a cada um de nós a conclusão. Se é que precisamos de conclusões. De resto, o encanto está mais no caminho que na chegada. As três são Eva, mulher madura e segura de si, Melina, em busca do grande amor, e Keithlennye, cantora de tecnobrega, que foi abandonada por seu parceiro e companheiro. É o primeiro longa de ficção da talentosa paraense Jorane Castro.

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