Oscar 2017: depois de confusão, ‘Moonlight’ é declarado vencedor
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Oscar 2017: depois de confusão, ‘Moonlight’ é declarado vencedor

Trapalhada na entrega do Oscar faz apresentadores anunciar a vitória do musical La La Land, cuja equipe recebeu a estatueta, agradeceu, para depois descobrir que era 'Moonlight' que havia de fato vencido

Luiz Zanin Oricchio

27 Fevereiro 2017 | 02h25

moonlight

Por fim, venceu o ótimo e comovente Moonlight, isso depois de La La Land ter sido anunciado como ganhador do prêmio principal, a equipe ter subido ao palco e agradecido, para depois ver o troféu “cassado” no ato. Nunca vi coisa igual. Enfim, o mais importante é que o prêmio ficou em ótimas mãos. Abaixo, o passo a passo da premiação, conforme fui enviando para o jornal.

  1. Ator coadjuvante: Mahershala Ali, por Moonlight. O primeiro Oscar foi para o favorito nesta categoria. Ótimo, como o traficante Juan, que apadrinha o garoto desamparado na primeira parte de Moonlight. Bem merecido, embora tivesse concorrência dura, como Jeff Bridges e o novato Lucas Hedges, além de Dev Patel, em papel comovente em Lion.   
  2. Maquiagem e cabelo: Esquadrão Suicida
  3. Figurino: para Animais Fantásticos e Onde Habitam. Nada notável, mas La La Land já perdeu a primeira indicação em que concorria.
  4. Documentário: Deu o que tinha de dar OJ: Made in America, filme de quase oito horas sobre a ascensão e queda do grande astro do futebol americano OJ Simpson. Traça, ao mesmo tempo, um retrato impiedoso da sociedade americana, o culto ao sucesso, o racismo, os impasses do sistema judiciário. Um grande filme e não apenas um filme grande. Não tinha prá ninguém.
  5. Edição de som: A Chegada. O som é bom, mas o de outros filmes também. E La la Land perdeu a segunda
  6. Mixagem de Som: Até o Último Homem. Também bom, embora o filme tenha seus problemas. E La La Land continua sem emplacar nenhuma até agora.
  7. Atriz coadjuvante: Viola Davis, que era mesmo a favorita. Papel difícil em Um Limite entre Nós, no qual faz o contraponto à rigidez do marido interpretado por Denzel Washington. Filme de origem teatral, mas muito muito bom. Viola brilha. E comove como a mãe que busca a união e não o conflito.
  8. Filme estrangeiro: O Apartamento, de Asghar Farhadi. Ótimo filme, talvez o melhor mesmo, derrota o favorito Toni Erdmann, da Alemanha. A mensagem que mandou, deplorando a entrada de imigrantes de alguns países nos Estados Unidos, é uma bofetada na administração Trump. Bem dada, aliás.
  9. Melhor curta de animação: Piper: Descobrindo o Mundo.
  10. Melhor longa de animação: Zootopia. Filme interessante, inteligente, contendo uma mensagem crítica em relação à separação e discriminação. Bichos antropoformizados, recurso mais velho que o rascunho da Bíblia, mas usado com criatividade. O meu favorito, nesta categoria, era A Tartaruga Vermelha, um poema existencial, história de um náufrago, sem qualquer diálogo. Mas quem pode com a Disney?  
  11. Desenho de produção: La la Land. O primeiro Oscar para o favorito. Vai começar a deslanchar agora?
  12. Efeitos especiais: Mogli, o Menino Lobo
  13. Melhor montagem: Até o Último Homem. E lá vai o problemático filme de Mel Gibson ganhando estatuetas. Já é a segunda. Vai mais adiante? O prêmio não é é absurdo. Bem montado ele é.
  14. Melhor curta documental: Os Capacetes Brancos
  15. Melhor curta ficção: Sing
  16. Melhor fotografia: La La Land. Começa a evoluir o favorito, com seu segundo Oscar. A fotografia de Linus Sandgren é bonita, sem dúvida. Mas a de Silêncio, de Scorsese, feita por Rodrigo Prieto, talvez seja ainda melhor. Acontece que Silêncio é muito ruim.
  17. Melhor trilha sonora: La La Land. Aqui deu a lógica. Afinal, gente, trata-se de um musical. E de um bom musical, gênero que não se sustenta se a música não for boa.
  18. Canção original: City of Stars (La La Land). O filme continua jogando em seu território. Aqui era mais que favorito.
  19. Roteiro original: Manchester à Beira Mar, de Kenneth Logerman. Ótimo prêmio, para um roteiro muito sensível e complexo. Talvez seja o filme mais tocante e sutil do Oscar.   
  20. Roteiro adaptado: Moonlight. Prêmio muito justo, um ótimo roteiro para um filme muito forte e original.
  21. Direção: Damien Chazelle (La La Land). Agora é o sinal de que vai ganhar. Em geral (não sempre) forma-se o par melhor diretor-melhor filme.
  22. Ator: Casey Affleck. Merecidíssimo, um trabalho sutil e difícil, encarnando alguém que não consegue se perdoar por um acidente fatal. Manchester cresce muito com sua interpretação minimalista e que busca uma emoção verdadeira, sem exageros ou derramamentos.
  23. Atriz: Emma Stone. Era a bola mais cantada da noite, seguindo a tendência da Academia de premiar jovens promissoras. E ela é uma jovem promissora, está muito bem no papel, é uma gracinha e etc. Mas atriz, mesmo, é Isabelle Huppert. Para chegar lá, Emma Stone tem de tomar muito milk shake ainda.
  24. Melhor filme: Moonlight. Maravilhoso resultado. Moonlight é um grande e belo filme, mas que ficará obscurecido por essa trapalhada talvez sem precedentes do Oscar. Warren Beatty e Faye Dunaway anunciaram a vitória de La La Land, que foi em seguida desmentida. Que digam os especialistas do Oscar, mas eu nunca vi coisa igual, uma derrapada que, pelo menos, teve o mérito de animar uma cerimônia chata e monótona. Agora, eu imagino a frustração do pessoal de La La Land, que já tinha até feito os agradecimentos pelo prêmio que, afinal, era de outro. Que coisa, hein?

 


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