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Os personagens da semana

Luiz Zanin Oricchio

20 Junho 2007 | 18h04

Amigos, minha coluna de futebol na edição de Esportes do Estadão:

Se tivesse que escolher o personagem do fim de semana, votaria em Paulo Baier. Como deve ter sido doce a noite de domingo de Baier! Depois de deixar o Palmeiras por salários atrasados, comandou o triunfo do Goiás contra o ex-time. Quando lhe perguntaram se a vitória tinha sabor especial, Baier deu a resposta convencional: nada disso, o Palmeiras é um adversário como outro. Pode apostar no contrário. É tão doce o sabor da vingança que Baier reservou-o só para si, sem compartilhá-lo com ninguém. Na resposta banal, também influi o raciocínio politicamente correto que manda jamais tripudiar sobre o adversário. E acrescente-se uma razão profissional: nunca se deve fechar uma porta, mesmo que já tenhamos passado por ela uma vez.

Também convencionais devem ser as declarações de outro personagem do fim de semana, o atacante Robinho, do Real Madrid, que se sagrou campeão espanhol no domingo. Enfim liberado, e com seu primeiro título europeu em mãos, Robinho vem se juntar à ‘família Dunga’, expressão que (juro!) ouvi de um repórter na emissora oficial da seleção. Alguém pergunte a Robinho sobre o caso com a CBF e dirá que o sonho de todo jogador é defender a seleção brasileira e ele não é diferente dos demais. Palavras vazias.

Seja como for, Robinho chega como ‘o’ astro da equipe, dadas as defecções de Ronaldinho e Kaká. Apresenta-se por cima, pois fez exatamente o que queria. Defendeu seu clube, ganhou a taça e não teve de desistir da seleção. Ficou na sua e, com um belo drible de corpo, deixou que a CBF batesse de frente com o Real Madrid. Com o resultado que se previa: a entidade brasileira foi obrigada a enfiar o rabo entre as pernas e aceitar o atleta apenas após o jogo contra o Mallorca. Como, aliás, recomendava o elementar bom senso. Mas bom senso, como se sabe, não costuma conviver bem com a arrogância. Enfim, devemos ao ‘caso Robinho’ essa boa lição à CBF. Uma coisa é peitar os submissos clubes brasileiros, várias vezes prejudicados por convocações inoportunas como bem lembrou Antero Greco em sua coluna. Outra, bem diferente, é sair no braço com europeus cheios de grana e força política. Bater em fraco é mole…

O outro personagem eu não sei quem é. Mas imagino que deva sair do principal jogo da semana, Grêmio x Boca na decisão da Libertadores. Quem será? Se Riquelme repetir a atuação da última quarta, será ele não apenas o personagem da semana, mas o próprio símbolo desta Libertadores. É um dos últimos craques em atividade no continente e já com data de vencimento por expirar: disputado o último jogo, volta ao seu clube, o Villarreal, que o emprestou (por muito ouro) ao Boca Juniors. Mas esse personagem pode ser também o habilidoso Palácios ou o matador Palermo, que todo mundo (aqui no Brasil) acha meio grossão, mas sabe botar a menina lá dentro.

Se Riquelme se despede do Boca e quer fazê-lo com um título, do outro lado há Lucas, na mesma situação. O garoto joga hoje, com o futuro já em vista em Liverpool, seu primeiro passo na Europa. O torcedor gremista bem poderia sonhar com uma grande atuação de Lucas e, por que não?, de Carlos Eduardo e de toda a equipe. Uma atuação tão magnífica que seja capaz de virar o indigesto placar trazido da Bombonera. Mas, nesse caso, o ‘personagem’ da semana talvez venha a ser uma coletividade. A torcida do Grêmio, que continua acreditando no título, contra todas as evidências do bom senso.