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Os dez maiores filmes mudos

Os dez maiores filmes mudos

Como toda lista, esta contém omissões, comete injustiças e expressa o ponto de vista de quem a faz. Mas o crítico tem uma certeza, uma única: todos esses filmes são muito bons

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Luiz Zanin

19 Fevereiro 2016 | 11h13

(Faz algum tempo me pediram uma relação dos dez maiores filmes mudos de todos os tempos. Se alguém se interessar, segue abaixo a tal lista que, como toda lista, comete injustiças injustificáveis e depende, em boa parte, das afinidades eletivas de quem a faz. Podem fazer as ressalvas que quiserem, mas os filmes abaixo são muito bons, disso eu não tenho dúvidas )

 

Cena de 'Aurora', de Murnau

Cena de ‘Aurora’, de Murnau



O cinema só aprendeu a falar depois de 32 anos de seu nascimento oficial. Tem-se O Cantor de Jazz (1927) , de Alan Crosland, como o primeiro filme falado e cantado da história. Mas muitos diretores, inclusive o genial Charles Chaplin, demoraram para adotar a novidade que, segundo eles, desvirtuava a linguagem cinematográfica.

Uma lista dos dez maiores

1) Encouraçado Potenkim (1925), de Sergei Eisenstein. Baseado em fatos históricos, narra a rebelião dos marinheiros do navio de guerra Potenkim. A sequência do massacre na escadaria de Odessa é considerada a mais influente da história do cinema.

2) Aurora, de F.W.Murnau. A potência poética do cinema levada ao máximo. Homem tenta matar a mulher, mas se arrepende e depois faz de tudo para reconquistar seu amor. Truffaut dizia que ninguém pode se intitular de crítico de cinema ou de cineasta sem ter visto e revisto este filme.

3) O Homem com a Câmera (1929), de Dziga Vertov. Cinegrafista sai com sua câmera registrando fatos da Rússia rural e urbana. A invenção cinematográfica expressa no filme o colocou no topo do registro documental.

4) Tempos Modernos  (1936), de Charles Chaplin. Mesclando comédia e crítica social, mostra o personagem que é devorado pela linha de montagem de uma fábrica. O gênio Chaplin resistia ao cinema falado e mostrava que podia dizer tudo apenas com imagens, música e muita invenção.

5) Ouro e Maldição (1924), de Eric von Stroheim. O filme observa a mudança de comportamento de três personagens quando tentam enriquecer pela descoberta do ouro. A cena final, com os homens atados ao ouro no deserto, é de antologia. Com 240 minutos, foi muito mutilado pelos produtores.

6) A General (1926), de Buster Keaton. Fatos reais, em que soldados da união roubam a locomotiva A General do exército confederado, transformados pela genialidade cômica de Keaton.

7) Metrópolis  (1927), de Fritz Lang. Distopia futurista, em que a humanidade se vê dividida entre uma elite dominante e uma classe de  escravos, que se incumbe do trabalho. Figuração imaginária da luta de classes presente nas sociedades historicamente reais.

8) Nanouk do Norte (1922), de Robert Flaherty. Tido como um dos mais influentes documentários, registra os costumes dos esquimós. Em boa parte é encenado, embora isso não tenha sido reconhecido senão tardiamente.

9) Napoleão (1927), de Abel Gance. Considerada, por sua grandeza e inovação de técnicas narrativas, uma das maiores cinebiografias da história do cinema, refaz a vida do general corso, transformado em imperador.

10) Limite (1931), de Mario Peixoto. A grande contribuição brasileira à fase muda do cinema é uma obra única, feita por um rapaz que deixara havia pouco a adolescência. Retrata a vida de personagens à deriva num barco, que recordam seu passado. Fotografia sublime de Edgard Brasil.  



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