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O valor do outro

Luiz Zanin Oricchio

05 Outubro 2007 | 19h45

Houve certa frustração em pessoas que esperavam ver Tropa de Elite indicado para disputar uma das cinco vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro. Deu, como vocês sabem, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias que, por isso mesmo, voltou à programação. É uma excelente oportunidade de ver, ou rever, um dos mais belos filmes lançados no ano passado.

Nem entro no mérito da discussão sobre qual deles seria mais apropriado para beliscar uma vaguinha na finalíssima do Oscar. Mesmo porque, ao contrário de alguns colegas, entendo que o Brasil pode passar muito bem sem uma daquelas estatuetas, de muito prestígio na indústria, mas pouca credibilidade artística.

Mas, enfim, ‘O Ano…’ foi indicado pela comissão brasileira porque, em seu entender, reunia aqueles elementos que o tornam palatável aos acadêmicos. Pouco importa. O que interessa mesmo são suas qualidades como cinema, a maneira como constrói uma bonita história pelo ponto de vista de um garoto, incluindo facetas tão diferentes quanto a iniciação sexual, a política de um país sob ditadura militar, o aprendizado de uma ética por meio do esporte dominante neste país e a civilizada convivência de etnias e culturas diferentes.

Acho que, por tudo isso, se trata de um ótimo filme. Não porque aborda temas oportunos ou politicamente corretos, mas porque o seu diretor, Cao Hamburguer, consegue dispô-los numa narrativa tão despojada quanto engenhosa.

(Guia do Estadão, 5/10/07)