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O Passado

Luiz Zanin Oricchio

15 Outubro 2007 | 19h12

Assisti agora de manhã a O Passado, de Hector Babenco, filme que abre a Mostra de Cinema na próxima quinta. Depois vou escrever uma crítica detalhada, mas por enquanto o que posso dizer é que gostei muito. Achei o filme elaborado do ponto de vista cinematográfico, intenso, misterioso em certos momentos, bastante profundo em outros, sem cair nas armadilhas do intelectualismo discursivo que já arruinou muitos projetos.

O Passado é adaptação do romance homônimo de Alan Pauls, que comecei, me impressionou bem, mas não tive tempo de terminar, porque é um catatau. Vou recomeçar, porque o filme me estimulou a ler o livro, sem que depois eu me veja na obrigação de comparar um com o outro, o que dá sempre errado.

Na história, Gael Garcia Bernal (o “pré-Che Guevara” de Diários de Motocicleta) é o rapaz que se separa da mulher com quem esteve casado por 12 anos, Sofia, e depois se envolve com outras mulheres. A idéia é mostrar como o passado não é algo de que nos desfazemos de uma hora para outra, como se fosse um trapo velho. Outra idéia interessante: a de que a separação pode ser uma etapa na vida de um casal e não o seu desfecho definitivo.

Rodado quase inteiramente na Argentina, é falado em espanhol e tem uma pequena passagem por São Paulo. Pequena também, porém significativa, é a participação de Paulo Autran, no papel de um intelectual francês. Fica sendo seu último trabalho no cinema. É bonito vê-lo na tela, presença sempre marcante, cigarrinho na mão.