O Oscar e o celular
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O Oscar e o celular

Luiz Fernando Zanin Oricchio

01 Março 2017 | 12h51

warren

Acho que como quase todo mundo, eu continuava intrigado com a trapalhada do Oscar. Como um envelope contendo o prêmio de melhor atriz, que já fora dado, foi parar nas mãos de Warren Beatty e Faye Dunaway, que deveriam anunciar o melhor filme?

Simples, há uma duplicata de envelopes, que ficam com as duas pessoas da PriceWaterhouse, e que vão sendo distribuídas aos entregadores de prêmios, ao longo da cerimônia. São duas maletas com envelopes em duplicatas, porque não se sabe que de que lado do palco vai entrar quem entrega o prêmio. Então, se uma das duas entrega o envelope, a outra separa a cópia deste mesmo envelope e prepara o envelope da premiação seguinte.

Foi o que Não fez Brian Cullinan. E, assim, entregou o envelope do prêmio anterior, que já havia sido dado: Emma Stone, por La La Land. Foi o que deu toda a confusão.

E o que originou erro tão primário? Atribui-se ao fato de Cullinan estar entretido com seu smartphone, tuitando a festa toda para seus seguidores.

Até aqui vamos. O erro do Oscar, grotesco é verdade, não teve qualquer consequência grave, a não ser a frustração da turma do La La Land, que já agradecia, e a euforia redobrada do pessoal do Moonlight, que não esperava mais pelo prêmio principal e acabou contemplado.

Mas e se fosse um piloto tuitando a sua aterrissagem de emergência? Ou um neurocirurgião mandando selfies da sala de operações? Sentem o perigo?

Há muito já havia notado esse potencial de distração dos celulares atuais. E percebi quando vi num vagão de metrô todos, mas todos mesmo, passageiros absortos em seus celulares, como em estado catatônico. E só pude ver esse fato chocante porque, por um momento, levantei o olhar do meu próprio iphone e, por alguns segundos, me conectei com o mundo.

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