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O Grande Irmão e os perigos da ironia

Luiz Zanin

09 junho 2014 | 18:19

Essa matéria é muito boa:

http://blogs.estadao.com.br/link/eua-querem-vigiar-sarcasmo-na-web/

O título é “EUA querem vigiar sarcasmo na rede”

Basicamente, o artigo diz que as agências de informações  estão em busca de algoritmos para detectar mensagens de duplo sentido. A maleabilidade da linguagem permite esse recurso. Nem sempre uma frase significa o que está dizendo de maneira direta e literal. Às vezes quer dizer exatamente o contrário do que afirma. Depende do contexto. Da entonação. Da hábil manipulação das palavras. É recurso dos melhores escritores. Machado de Assis, por exemplo, teria problemas na rede com suas finas ironias.

Por exemplo, se eu disser: “Poxa! Que má vontade! Eles estão fazendo isso para o nosso próprio bem”. Isso pode soar como um elogio à vigilância americana e sua luta contra o terror. Ou pode soar como ironia. Você decide.

De modo geral a ironia, ou o sarcasmo, são armas da linguagem a serem usadas contra os poderosos, aqueles que julgam ter o domínio físico sobre nossas ações e sobre nossos pensamentos. A ironia os desmascara. Por isso corta, e fere. Em especial porque os brucutus do poder costumam não entendê-la. Talvez os algoritmos sejam mais inteligentes.

Na verdade, o próprio George Orwell não sabia de nada, coitado, quando escreveu 1984. Não poderia imaginar o que viria a ser 2014.

E isso não é uma ironia.