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Noite punk e agradável

Luiz Zanin Oricchio

12 Junho 2007 | 12h32

Noite meio punk (pelo menos para os meus padrões atuais de dormir cedo e levantar cedo) porém recompensadora. Saí correndo aqui do jornal e fui à PUC debater o mito Pelé. Gostei de voltar ao prédio da Rua Monte Alegre depois de tantos anos. Estudei lá por volta de 1968 e 1969, fazendo um curso de Ciências Sociais que não concluí, mas me deixou boas lembranças. Depois – também durante um par de anos – fui professor de psicologia e psicanálise na Pontifícia. Tive uma certa emoção ao passar por aqueles velhos corredores e rever os jovens universitários. Digo rever porque parecem sempre os mesmos, iguais aos do meu tempo. E, sim, o debate em si foi muito interessante, com dois parceiros colocando o lado mais acadêmico da coisa e eu, jornalista, falando de Pelé talvez de maneira mais informativa que analítica. Resumindo, foi bastante divertido. E, parece, despertou bastante interesse nos alunos, com muita gente perguntando e debatendo esse assunto inesgotável. Gostei da experiência.

Saí de lá correndo e fui até o Reserva Cultural, na Paulista, dar um abraço em Jean-Claude Bernardet, na homenagem que está recebendo por seus 70 anos de idade e 40 de lançamento de Brasil em Tempo de Cinema. Cheguei a tempo de ver um dos filmes (de montagem) de Bernardet, São Paulo, Sinfonia e Cacofonia, belo e duro ensaio sobre Sampa feito com pedaços de outros filmes, como São Paulo S/A, Anjos da Noite, Gamal, o Profeta da Fome, Noite Vazia e tantos outros. Interessante, essa disposição de tomar as imagens de outros filmes e, através de uma colagem, buscar um efeito de sentido que não estava nelas de início. Meia São Paulo cinematográfica estava no Reserva, o belo espaço composto de salas de cinema, livraria, bar e restaurante. Gente da Cinemateca, críticos, cineastas, técnicos, jornalistas. Jean Claude é uma referência. Para quem sabe das coisas.