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Lima e Vargas Llosa

Luiz Zanin Oricchio

08 Agosto 2008 | 21h06

LIMA – Como sabem, estou na capital do Peru. Os dias têm sido corridos, para tentar, em pouco tempo, conhecer o máximo de coisas. É apenas uma impressão geral, mas me impressionou como, em meio a uma cidade enorme, de trânsito caótico, sobrevivem ainda as marcas do passado que por exemplo em São Paulo foram rigorosamente apagadas até o quase desaparecimento. Estive hoje em uma casa contemporânea da fundação da cidade, ou seja, de mais de quatro séculos. Em seu interior, respira-se uma espécie de tempo fora do tempo, o que causa uma impressão forte.

Bem, depois fui à Casa O’Higgins, onde há uma exposição em homenagem a Mario Vargas Llosa. Fotos, álbuns, edições em vários idiomas, antigas máquinas de escrever de um artista que, diga-se o que se disser, conseguiu de fato ser universal. Sabem o que mais me interessou? Os livros anotados da coleção do autor. Llosa lê anotando e há de tudo lá, desde Rumo à Estação Finlândia, de Edmund Wilson, a ensaios de Isaiah Berlin. E, claro, romances. Vi lá Palmeiras Selvagens, de Faulkner, que Llosa leu numa tradução de Borges. E anotou, conscienciosamente, as reviravoltas da trama e a complexidade do foco narrativo. Para não se perder, como disse. Pensei imediatamente que ele deve ter fortalecido os músculos com Faulkner para depois praticar os malabarismos de foco narrativo que tanto admiro em Conversa na Catedral.

Artistas aprendem uns com os outros. É a verdadeira escola. A única, talvez.