Lévi-Strauss e o tempo de assimilação
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Lévi-Strauss e o tempo de assimilação

Luiz Zanin Oricchio

14 Outubro 2016 | 18h54

 

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Vejo uma velha entrevista com Claude Lévi-Strauss no Canal Curta.

Ele fala do tempo e do saber. Diz algo assim como que o ápice do conhecimento se dá quando as civilizações se beneficiam das comunicações, mas, ao mesmo tempo, estas são suficientemente lentas para que as informações que trocam possam ser assimiladas e decantadas.

Fala da época de Descartes e Leibniz. A entrevista é de 1972!

Ele viveria muito tempo ainda – morreu com mais de 100 anos e pôde, talvez, vislumbrar no que havia se transformado nossa época de velocidade alucinada, overdose de informações e nenhum tempo de assimilação e aprofundamento. Vivemos imersos num mar de dados, que não cessa e não pode cessar. A quantidade é tudo.

Entupimo-nos e não fazemos qualquer esforço de selecionar, hierarquizar, compreender.

Há um tempo de reconhecer e um tempo de compreender, dizia Lacan.

Este último foi abolido. Nada é importante, porque tudo o é.

Num instante, porque, em seguida será esquecido, substituído e assim seguimos.