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Irina Palm: a mão santa

Luiz Zanin Oricchio

01 Outubro 2007 | 15h38

Começaram as sessões de imprensa para a Mostra de Cinema de São Paulo, que começa dia 19. Vou adiantando algumas coisinhas que me chamarem a atenção. Começo por Irina Palm, que vi hoje de manhã.

Em Irina Palm, Marianne Faithfull faz a senhora de meia-idade que precisa se virar de maneira heterodoxa para levantar dinheiro. Acontece que seu neto tem uma doença rara e precisa se tratar na Austrália. É preciso grana para a viagem e hospedagem do menino e seus pais, mas o que fazer? Maggie (Faithfull) já passou daquela idade em que as pessoas encontram emprego e então tem de se virar. Em quê? De profissional improvável para o ramo, ela se torna uma especialista.Isto vocês verão no filme. Por enquanto, basta dizer que ele andou provocando polêmica por aí ao tratar de um tema polêmico que é a sexualidade, em especial quando não tem gente jovem envolvida. Mas aborda o assunto com gentileza e não busca o choque fácil. Em termos de linguagem cinematográfica, o filme de Sam Garbarski é muito simples. Não busca o sensacionalismo (nem mesmo o visual) e também evita a pieguice, mesmo que providencie um happy end – à sua maneira. Faithfull está perfeita. “Fala” bastante com o rosto e encarna com bastante altivez a personagem que aceita o que destino lhe reserva. Não é pouca coisa para um filme contemporâneo: buscar a dignidade humana onde menos se espera encontrá-la.