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Ineditismo é marca de Brasília em sua 40.ª edição

Luiz Zanin Oricchio

17 Outubro 2007 | 11h56

Seis longas-metragens inéditos em território nacional serão a principal atração do Festival de Brasília em sua edição de número 40. São eles: Amigos de Risco, de Daniel Bandeira (PE), Anabazys, de Paloma Rocha e Joel Pizzini (RJ), Chega de Saudade, de Laís Bodanzky (SP), Cleópatra, de Julio Bressane (RJ), Falsa Loura, de Carlos Reichenbach (SP) e Meu Mundo em Perigo, de José Eduardo Belmonte (DF). Deles, apenas dois – Cleópatra e Anabasys – já foram vistos, e apenas no Festival de Veneza, realizado em setembro. Os outros quatro são novidades absolutas. Ninguém escreveu uma linha sobre eles, o que faz toda a diferença para um festival de cinema, evento cujo prestígio se mede pelos requisitos da novidade e da qualidade artística.

De certa forma, chega a ser uma proeza conseguir tantos inéditos depois da passagem de dois vendavais que são as mostras do Rio e de São Paulo, sobretudo a do Rio, que apresenta muitos filmes brasileiros em sua Première, tirando deles a condição de ineditismo, requisito informal para ir a Brasília. O regulamento exige apenas que o filme não tenha sido visto no Distrito Federal, mas a organização dá preferência aos inéditos no Brasil.

Com essa exigência, Brasília garante-se como o mais importante festival de cinema do País, o único a apresentar um número restrito de filmes nacionais, que serão mostrados ao público com toda a calma – um longa e dois curtas a cada noite – e discutidos a fundo na manhã seguinte, nos tradicionais debates dos realizadores com o público e os jornalistas.

O festival ainda apresenta em concurso 12 filmes de curta-metragem em 35 milímetros, todos também inéditos: Busólogos, de Cristina Muller (SP), Café com Leite, de Daniel Ribeiro (SP), Décimo Segundo, de Leonardo Lacca (PE), Enciclopédia do Irracional e do Inusitado, de Cibele Amaral (DF), Espalhadas pelo Ar, de Vera Egito (SP), Eu Personagem, de Zepedro Gollo (DF), Eu Sou Assim – Wilson Batista, de Luiz Guimarães de Castro (RJ), O Presidente dos Estados Unidos, de Camilo Cavalcanti (PE), Tarabatara, de Julia Zakia (SP), Trópico das Cabras, de Fernando Coimbra (SP), Um Ridículo em Amsterdã, de Diego Gozze (SP) e Uma, de Nara Riella (DF). Os concorrentes em 16 milímetros são em número de 18.

Neste ano especial, Brasília promove seminário em homenagem ao seu fundador, o crítico Paulo Emilio Salles Gomes, nos 30 anos de sua morte. Será também lançado um livro sobre os 40 anos do festival. Essa feição comemorativa se estende às cerimônias de abertura e fechamento, com exibição de filmes de outras edições: os raros Proezas do Satanás na Vila do Leva-e-Traz, de Paulo Gil Soares, vencedor do Candango de 1967, e Dezesperato, de Sérgio Bernardes (1968).

(Estadão, Caderno 2, 17/10/07)