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Horror da guerra leva De Palma a filme marcado pela urgência

Luiz Zanin Oricchio

30 Outubro 2007 | 09h25

Com Redacted, Brian de Palma ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza. Houve quem o apontasse como favorito ao Leão de Ouro, que acabou em outras mãos – de Ang Lee, com Lust Caution. Mas, mais do que o reconhecimento de um júri, o que contou foi a reação da platéia. O filme foi recebido com silêncio profundo. Um silêncio de respeito, não de indiferença, a julgar pelos comentários feitos depois da exibição desta que é um poderosa obra antibelicista, debruçando-se sobre um episódio particular da invasão americana no Iraque.

O que De Palma registra é um caso em tudo semelhante ao massacre de Mi Lai, na Guerra do Vietnã. Neste, como na guerra de agora, foram os civis as vítimas, indefesos diante da brutalidade militar. No caso, narra-se a invasão de uma residência por uma patrulha. Os soldados estupraram uma garota de 15 anos, depois queimaram o corpo. Em seguida, mataram todos os que haviam presenciado a cena: irmãos da menina, os pais, os avós. Esses, os fatos.

A maneira como De Palma os leva para a tela é bastante incisiva. Escolhe o tom documental para que a narrativa mantenha seu gume. Mistura materiais, porque muita coisa vem daquilo que é gravado por um dos soldados envolvidos no crime, outro tanto saído de posts, colocados nos blogs dos próprios combatentes, etc. É uma plástica ‘suja’, misturada, áspera – como sujo é aquilo que ela reconstrói e leva para a tela. Não se trata ‘apenas’ da guerra, da invasão de um país e o sacrifício da população inocente. É também um filme sobre a deterioração moral. Não deixa de ser curiosa a presença de obra como essa na filmografia de um cineasta acusado de esteticismo e abuso de referências. De Palma parece premido pela urgência. E isso é muito bom.

Serviço:

Cinemateca: Hoje, às 18h10. Cinesesc: Amanhã,às 13h30. Cotação: Ótimo