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Gran Torino

Luiz Zanin Oricchio

11 Março 2009 | 15h33

Acabei de ver Gran Torino, novo Clint Eastwood, que estreia mais adiante – acho que dia 20. Alguns amigos já haviam me dito que não era um grande Clint, que tinha problemas de roteiro, etc. Uma questão de safra.

Ok, mas gostei. De fato recheado de clichês, Gran Torino tem lá sua grandeza. Clint é Walt Kowalski, que começa o filme enterrando a mulher depois de um longo casamento. Ele não se dá com os filhos e muito menos com as noras. Mora num bairro agora habitado por imigrantes. Ele próprio é um americanão violento, meio racista, hasteia a bandeira na porta da casa, foi à guerra da Coréia, trabalhou para a Ford durante 50 anos e condena o filho por vender carros japoneses. No entanto, a convivência forçada com orientais irá ensinar algumas coisas a esse velho intolerante. Tudo, se você for pensar bem, já visto em dezenas de filmes anteriores.

Mesmo a interpretação de Clint não é isenta de lugares-comuns, um esgar às vezes perturbador naquela tão expressiva máscara de rugas. Mas, mesmo assim…Estamos diante de algo que não é cinematograficamente neutro. Algumas coisas fundamentais estão ali, e de maneira pungente, como a consciência sofrida de que o mundo não é mais o mesmo e de que ele próprio, o personagem, mudou, envelheceu e parece próximo dos atos finais dessa tragicomédia chamada vida.

Então, o filme é sobre as coisas que mudam, e de maneira inevitável. E é também sobre algumas (poucas) coisas que não mudam, ou pelo menos não mudam tão rápido, como certos valores sólidos, a ética, tudo isso. É filme de um humanista. E essa condição o coloca acima de alguns possíveis defeitos. Conduzindo com a sobriedade de sempre, Clint parece querer chegar aos valores simples e isso pede uma mise-en-scène depurada.