Gramado 2017.  ‘X500’ e a brutalidade das migrações contemporâneas
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Gramado 2017. ‘X500’ e a brutalidade das migrações contemporâneas

Em três histórias paralelas, o concorrente colombiano 'X500' tenta mostrar o drama, e às vezes a tragédia, dos que precisam se deslocar de seus locais de origem em busca de uma vida melhor

Luiz Zanin Oricchio

24 Agosto 2017 | 16h18

 

 

GRAMADO – Interessante e cheio de pulsão o longa X500, do colombiano Juan Andrés Arango.

Trabalha com três histórias paralelas. Numa, uma garota filipina chega ao Canadá com a avó, para tentarem nova vida. Alex, um colombiano, é deportado dos Estados Unidos de volta ao seu país e descobre que seu bairro tornou-se reduto de traficantes. Seu irmão menor é tentado para entrar no bando, violento ao extremo. Davi deixa seu povoado no interior para tentar a sorte na Cidade do México e percebe que a violência também o espera no bairro onde passa a morar.  

O filme tem boa tensão e, apesar da fragmentação de narrativas, consegue dar bom desenvolvimento aos personagens. Não é homogêneo, porém. A história colombiana é bastante superior às outras duas. O espectador agradece, porém isso cria problemas para a harmonia estrutural do longa.

A estética é um tanto brutalista, porém a direção não se compraz com a violência e a trata com sobriedade, mais sugerindo que mostrando, o que me parece acertado.

No todo, X500 centra-se numa questão bastante contemporânea: o desgarramento associado às constantes migrações do mundo contemporâneo. As pessoas mudam, e não porque gostem de aventuras ou novidades, mas porque precisam sobreviver (a mais dramática de todas é a migração africana para a Europa). Ao fazê-lo, muitas vezes as pessoas perdem as raízes e afundam num pesadelo que não estão preparadas para enfrentar.

O mundo atual é selva, diga-se o que se quiser. X500 faz um retrato bruto e imperfeito dessa condição contemporânea.