Gramado 2017. O engajado ‘Secunda’ vence o ‘Gauchão’
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Gramado 2017. O engajado ‘Secunda’ vence o ‘Gauchão’

Filme denúncia sobre a violência policial contra secundaristas no Rio Grande do Sul vence a Mostra Gaúcha de Curtas, o popular 'Gauchão', de muito bom nível este ano

Luiz Zanin Oricchio

21 Agosto 2017 | 10h40

 

GRAMADO – A política ferveu no ‘Gauchão’ e o resultado não poderia ser outro: venceu Secunda, de Cacá Nazário, que mostra a violência policial no Rio Grande do Sul contra secundaristas que haviam invadido a Secretaria da Fazenda. O filme, de cenas chocantes e montagem ágil, expõe a luta dos estudantes e a maneira como o Estado trata os adolescentes – na base do cassetete e gás pimenta. Afora seu conteúdo político explícito, Secunda possui qualidades cinematográficas, causando espanto e indignação no espectador. Foi o mais aplaudido durante a sessão e mereceu o prêmio.

Mas é preciso que se fale um pouco mais desse segmento do Festival de Gramado, em geral ignorado por quem não é do Estado. O chamado ‘Gauchão’ resume-se a duas maratonas de curtas, projetados às tardes, no Palácio dos Festivais. O cinema lota. O público é predominantemente jovem. São eles que se veem na tela em filmes deles próprios ou de seus colegas ou conhecidos. É muito bacana.

Este ano foram selecionados 18 curtas. Assisti às duas maratonas. E não me arrependi. Vi muita coisa boa. E mais que boa: ousada, na forma como no conteúdo. O cinema gaúcho vibra e, apesar das dificuldades, sempre repetidas a cada apresentação dos filmes, está vivo. Vivíssimo.

Além de Secunda, gostei de vários deles, premiados ou não. Do inventivo 1947, de Giordano Gio, o denso Katharsis, de Mirela Kruel, o mais bem construído de todos e injustiçado Mãe dos Monstros, de Julia Zanin de Paula, o muito criativo (e ousado) Sob Águas Claras e Inocentes (muito premiado), o também urgente Telentrega, de Eduardo Reis, Luna 13, de Filipe Barros, Bicha Camelô, inovador na questão de gênero.

Quando se destacam tantos filmes de uma mostra é sinal de que a seleção foi boa e o júri teve trabalho para escolher os vencedores.

Abaixo, os premiados   

Troféu Assembleia Legislativa

Melhor filme: “Secundas”, de Cacá Nazario

Melhor direção: Emiliano Cunha por “Sob Águas Claras e Inocentes”

Melhor ator: João Pedro Prates em “1947”

Melhor atriz: Mariana Yomared em “Yomared”

Melhor roteiro: Gabriel Honzik por “Temporal”

Melhor fotografia: Carine Wallauer por “Temporal”

Melhor direção de arte: Eduardo Reis por “Solito”

Melhor música: Mariana Yomared e Banda da Convenção de Malabares de Florianópolis em “Yomared”

Melhor montagem: Lufe Bollini em “Yomared”

Melhor edição de som: Ivan Lemos e Thiago Gautério por “Temporal”

Melhor produtor (produtor-executivo): Ausang, Davi De Oliveira Pinheiro, Emiliano Cunha e Pedro Guindani por “Sob Águas Claras e Inocentes”

Menção honrosa: ao elenco do filme “Sob Águas Claras e Inocentes”, de Emiliano Cunha

Prêmio Aquisição TVE

Vencedor: “Gestos”, de Alberto Goldim e Júlia Cazarré

Menção honrosa: “Sena, o fio em prosa” de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena

Prêmio do Júri da Crítica

“Sob Águas Claras e Inocentes”, de Emiliano Cunha