Gramado 2017. Noite de Kikitos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Gramado 2017. Noite de Kikitos

Daqui a pouco, no Palácio dos Festivais, começa a cerimônia de encerramento do 45º Festival de Gramado. A mostra brasileira forte não permite prognósticos. A entrega de prêmios será transmitida pelo Canal Brasil a partir das 20h45

Luiz Zanin Oricchio

26 Agosto 2017 | 18h29

Foto de Diego Vara

GRAMADO – Às 21h, daqui a pouco, começa no Palácio dos Festivais a cerimônia de encerramento do 45º Festival de Gramado. Quem leva os Kikitos? Cada um tem suas opiniões e preferências e ninguém é louco para botar a mão no fogo sobre o que vai pela cabeça dos júris.

Em todo caso, para mim, o que interessa no momento é saber que será uma disputa renhida, pois o festival foi de boa qualidade. Os filmes de bom nível prevaleceram.

Vamos lá: entre os nacionais, acho que há uma trinca de ótimos filmes: Como Nossos Pais, As Duas Irenes e Pela Janela. Bio e A Fera na Selva estão em segmento à parte, pois representam pontos fora da curva da produção, o que é bom. Vergel, apresentado ontem à noite, também é um filme discrepante e possui qualidade.

Entre os estrangeiros, para o meu gosto, o peruano La Última Tarde está à frente dos outros. O documentário (único nas duas mostras de longas) Mirando al Cielo também é muito bom. Pinamar foi apresentado também ontem à noite e foi surpresa agradável. Com tempo, quero voltar a esse filme. Los Niños, com sua proposta original, colocando adultos downianos como protagonistas, não deixa de emocionar. E a pegada forte do colombiano X500 também é de se considerar. Sinfonia para Ana tem virtudes mas peca pelo tom melodramático.

Entre as atrizes está a maior disputa este ano, tantas e tão boas são elas: Magali Biff, Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Camila Morgado, Eliane Giardini. Como escolher? Ou, quem sabe, as estreantes Priscila Bittencourt e Isabel Torres (as duas “Irenes”) não poderiam ser colocadas numa premiação à parte, como , revelações (os franceses as chamam de “espoirs”, esperanças)?

Entre os atores fico entre Marco Ricca (As Duas Irenes), Paulo Betti (A Fera na Selva) e Cacá Amaral (Pela Janela).

Entre as atrizes latinas, acho que o voto em Katerina D’Onofrio é obrigatório por A Última Tarde. Assim como para o ator Lucho Cáceres, no mesmo filme.

Por fim, houve muitas homenagens na edição especial deste ano. Todas merecidas. E, no apagar das luzes, surgiu a polêmica sobre o veto de Temer à renovação da Lei do Audiovisual, o que mobilizou a categoria em torno de uma carta tímida.

Coerente com seu tempo, o festival destacou a relevância da produção feminina, abordou questões de gênero e raça, apostou em temas polêmicos. Um festival é um pouco um espelho do seu tempo. O desalento político, no entanto, foi expresso com mais vigor na vespertina Mostra de Curtas Gaúchos que nas sessões da noite, tidas como o filé mignon de Gramado.  

Daqui a pouco começa a premiação e preciso me aprontar. A cerimônia será transmitida ao vivo pelo Canal Brasil (150 da NET), sob o comando de Simone Zuccolotto com comentários de Roger Lerina e do autor destas mal traçadas. Assistam. Deve ser divertido.