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Gosto pelo risco

Luiz Zanin Oricchio

26 Outubro 2007 | 12h19

A Mostra entra em sua segunda semana e ainda não dá para falar de cinema em São Paulo sem se referir a ela. Mesmo porque alguns dos filés começam a ser servidos somente agora. Hoje (26) mesmo há um conjunto de filmes fundamentais para serem vistos. E muitos deles serão reexibidos mais adiante.

Falemos dos chamados “filmes de risco”. O que são? Aqueles que mais destoam do cinemão convencional, da narrativa manjada da indústria. Quem não gosta deles, diz que é “filme de crítico”. Não se deixe levar por esse tipo de opinião medíocre e arrisque-se. Veja, por exemplo, o protótipo de todos os filmes de risco do mundo, o brasileiro A Idade da Terra, de Glauber Rocha, que retorna em cópia nova. O filme, de 1980, é uma meditação dilacerada sobre a política brasileira na época do regime militar. Inova tanto na forma que Glauber não queria numerar a ordem das bobinas para que fosse exibido de maneira aleatória. Nem queria colocar a palavra “Fim”, indicando que aquela reflexão não acabava na saída do cinema.

Dê um salto no tempo, venha para o presente e veja Andarilho, de Cao Guimarães, um estudo poético-visual sobre pessoas sem moradia fixa, que perambulam pelas estradas de Minas. É belíssimo.

A outra pedida é o estranho Vocês, os Vivos, de Roy Andersson, da Suécia. Os personagens, em atitudes inusitadas, são vistas em quadros fixos, engraçados às vezes, trágicos outros.

Surpreendente. Mas cinema é surpresa.