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Cultura » Glória Pires e o sadismo da rede

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Luiz Zanin

01 Março 2016 | 08h48

Também passei pela Globo durante a transmissão do Oscar e achei que Gloria Pires não tinha grande coisa a dizer. Mudei de canal.

No dia seguinte fui surpreendido com a repercussão sobre a “performance” da atriz, sob a forma de memes e gozações. Viralizou, como se diz. Enfim, virou chacota internética.

Há um gozo nisso e nem se procura disfarçar. Hoje, na Folha, um colunista escreve ter sido “obrigado” a acompanhar o Oscar na Globo em função da Gloria Pires. Ou seja, o prazer de ver uma pessoa famosa em situação ridícula fora-lhe suficiente para escolher uma transmissão tecnicamente pior do prêmio.

Dei uma olhada nas redes associais. Há piadas engraçadas. Mas o tom geral é sádico. Ama-se presenciar de camarote uma celebridade em situação incômoda. Baba-se de prazer.

O leitor me dirá: a maldade sempre existiu, desde que o mundo é mundo. Na Grécia de Péricles e Aspásia fofocava-se. Na Roma de Nero intrigava-se. Na corte de Versailles soltava-se veneno.

Verdade. Desde que o samba é samba é assim. Mas também é verdade que chegamos a um grau de sadismo social sem paralelo na História. A tecnologia melhora nossas qualidades. Exacerba nossos defeitos, entre os quais a vingança e ressentimento ocupam o topo da lista.

A rede é o mais fértil dos terrenos para os sentimentos baixos.

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