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Gilberto Mendes: Santos Football Music

Luiz Zanin Oricchio

13 Outubro 2007 | 13h45

Devo a um programa do maestro Julio Medaglia, na Rádio Cultura FM, saber do aniversário de 85 anos deste grande compositor brasileiro, o nosso maior expoente da música contemporânea. Mendes carregou nas costas o Festival de Música Nova de Santos, até que este foi assumido pelo Centro Cultural Maria Antonia. É um caso de vitalidade e criatividade, ainda não suficientemente documentado, por exemplo em suas relações com a poesia concreta, dos irmãos Campos e Décio Pignatari (de quem musicou o poema Beba Coca-Cola).

Não por acaso, minha peça favorita de Mendes é Santos Football Music, que eu saiba o único trabalho musical que traz o futebol para a seara da música erudita. Nele, o público tem papel importante, intervindo, sob comando do maestro, como se fosse a torcida em um campo de futebol. A gravação de uma partida (narrada por Geraldo José de Almeida, locutor famoso) se alterna com música e os sons da “torcida”. É emocionante.

Na entrevista, Mendes disse que não se interessava tanto pelo assunto, mas, como santista, não conseguia ficar indiferente à grande equipe do Santos, de Pelé, Coutinho, Pepe & Cia. Quem o estimulou a fazer uma música sobre o time foi o jornalista Enio Squeff. Mas a inspiração veio quando descia a serra e ouvia no rádio a narração de uma partida. “Senti que havia música na maneira como o locutor descrevia as jogadas”, disse. E assim nasceu Santos Football Music. Até onde sei, o Santos é o único time do mundo que tem uma peça sinfônica de música contemporânea em sua homenagem.

Parabéns, Gilberto Mendes.