É Tudo Verdade 2018. O sucesso de ‘O Processo’
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É Tudo Verdade 2018. O sucesso de ‘O Processo’

A grande procura de público pelo documentário sobre o impeachment de Dilma fez a organização programar uma sessão extra, além das duas já previstas

Luiz Zanin Oricchio

16 Abril 2018 | 15h50

 

Soube que ontem houve uma sessão extra, além das duas já programadas no Instituto Moreira Salles, para o doc ‘O Processo’, de Maria Augusta Ramos. Sucesso total, pelo menos entre o público restrito que frequenta o festival É Tudo Verdade. O filme estreia em circuito comercial 17 de maio.

Fui ontem a tarde ao IMS assistir a outro filme, o ótimo The Cleaners, sobre o insalubre trabalho de moderadores de posts do Facebook. Na saída, minha mulher e eu fomos abordados na Avenida Paulista por um casal de espectadores à cata de ingressos para ‘O Processo’. “Viemos da Bahia para ver o filme e não conseguimos”, disse a mulher. Aconselhei-a a procurar de novo na bilheteria porque havia o boato da terceira sessão, que acabou se confirmando. Tomara tenham conseguido.

O Processo, vocês já sabem, reproduz a trajetória que conduziu ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016. A procura pelo filme demonstra um fato que os vencedores da vez preferem ignorar: existe uma significativa e compacta parcela da opinião pública brasileira que não engoliu o “rito legal” que destituiu a presidente. Entre essa parcela, muita gente culta, politizada, instruída. Não apenas os “militantes de sempre”, como dizem para desqualificar quem não se alinha ao pensamento único vigente. Como se a palavra “militante” fosse um insulto…

Bem, aproveitando a ocasião, gostaria de destacar um aspecto que ignorei no meu texto de ontem sobre O Processo: a maravilhosa montagem de Karen Akerman. Trabalhando com material muito extenso – cerca de 400 horas de gravação – Karen soube dar uma linha reta e coerente a esse jogo de cartas marcadas, a essa tragicomédia da qual fomos, em maior ou menor grau, todos coadjuvantes.

Resumiu-a a 130 minutos vibrantes, sofridos, porém necessários. O filme tem ritmo. Será material de pesquisa incontornável quando a posteridade der seu veredicto sobre essa “página infeliz da nossa História”, como diz o samba do Chico Buarque.