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É possível ainda ser de esquerda?

Luiz Zanin Oricchio

24 Outubro 2007 | 16h27

É a pergunta que se faz o filósofo e articulista Bernard-Henri Lévy, que acabou de lançar na França o livro Ce Grand Cadavre à la Renverse. A revista Le Nouvel Observateur dá capa à matéria, traz trechos do livro e entrevista vários intelectuais e políticos. Um dos trechos escolhidos é bem interessante. Narra uma conversa telefônica entre Lévy e o então candidato à presidência, Nicolas Sarkozy. Na véspera, André Glucksman,amigo de Lévy e nouveaux philosophe como ele, havia publicado no Le Monde um artigo aderindo à candidatura Sarkozy. Este agora ligava a Lévy, tão íntimo que podia usar o “tu” como forma de tratamento, cobrando adesão semelhante. Resposta de Lévy: “Não posso. Podemos até ser amigos, mas a esquerda é a minha família”. Mas o que significa pertencer a essa família nos dias de hoje? Essa, a discussão, que repercute nos depoimentos.

Existe alguma convergência entre eles. A maioria dos entrevistados aponta três momentos-chave da história francesa recente: Vichy (onde se instalou o governo títere pró-nazista, durante a 2.ª Guerra), a questão colonial (Guerra da Argélia) e o maio de 1968. Simplificando: de que lado se estava em relação a esses fatos? Ou ainda: de que maneira os vemos, hoje em dia? O posicionamento em relação em relação a eles bastaria para indicar uma posição ideológica mais ou menos clara, uma postura política, uma filosofia de vida? Essa, a questão, buscando parâmetros do passado para pensar o presente.

E no Brasil, quais seriam os acontecimentos que poderiam nos servir de medida? Proponho um, bem fácil: de que lado você estava durante a ditadura militar? Você teria outra idéia?