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Dicas de hoje (sábado, 27)

Luiz Zanin Oricchio

27 Outubro 2007 | 11h51

Tem muita coisa para ver hoje na Mostra. Que eu conheça:

Deserto Feliz, o belo e duro filme de Paulo Caldas.

O Banheiro do Papa, o Uruguai um tanto neo-realista de César Charlone (e Enrique Fernández).

El Outro, do argentino Ariel Rotter, uma releitura da troca de identidade, que começa lá atrás com o Finado Mattia Pascal, de Pirandello, e vem até Passageiro: Profissão Repórter, de Antonioni. Ponto para a interpretação cool de Julio Chávez.

Nascido e Criado, outro argentino, este de Pablo Trapero, um pouco menos incisivo que seus filmes anteriores, mas ainda assim…para lá de bom. Sobre o cara que pensa ter matado a família inteira num acidente de carro e vai expiar a culpa na Patagônia.

Andarilho, de Cao Guimarães, sobre os homens que vivem ao longo das estradas de Minas. Um dos mais belos e inventivos filmes dos últimos tempos no cinema brasileiro.

O Novo Século Americano, de Massimo Mazzucco. Discurso meio paranóico, que culpa os “neocons” americanos (a nova direita) pelo atentado às torres gêmeas. Procura mostrar que sempre que os Estados Unidos precisaram intervir no mundo inventaram um inimigo externo. Pode ser, como disse, uma construção paranóica, mas coloca na mesa algumas verdades incômodas.

Mal Nascida, do português João Canijo, filme triste e soturno, ambientado no interior português. Vi em Veneza e me pareceu muito bom. Mas é de cortar os pulsos.

O Mundo, de Jia Zhang-Ke. A Mostra, como se sabe, está realizando uma retrospectiva do chinês que, para mim (e mais a torcida do Flamengo e a do Corinthians reunidas) é o cineasta da hora. O mundo miniaturiado, a volta em torno da Terra sem sair da China, uma perfeita alegoria da globalização, em um cineasta preocupado em captar as transformações do seu país – e do mundo.

Se o Vento Levanta a Areia, da belga Marion Hänzel, sobre a miséria na África, filme que comento em post anterior.

Quanto a mim, vou tentar alguns programas de risco.

Pretendo ver filmes sobre os quais não tenho qualquer informação, como o britânico O Zelador e o senegalês Teranga Blues. É como tomar um trem ao acaso. Pode te levar ao paraíso ou ao inferno. Ou a lugar nenhum. Mas aí é que está a graça da coisa.

Depois vou ao futebol, porque não sou um nerd de tela, mas à noite volto ao cinema.

Para ver o quê? Talvez Caótica Ana, de Julio Medem.