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Como anda o nosso futebol?

Luiz Zanin Oricchio

13 Junho 2007 | 19h13

Amigos, minha coluna de ontem no Esportes do Estadão:

Nelson, meu colega na ginástica matinal, veio se queixar: ‘O futebol está muito chato!’ Será que ele tem razão? Bom, podemos dar um desconto, afinal o Nelson é são-paulino fundamentalista e o time dele não anda lá muito bem das pernas. Mas qual dos times vai bem?

Se ficarmos só no futebol paulista, a situação parece desoladora. São Paulo e Palmeiras não se acertam e, com os dois resultados dessa rodada, vêem-se à beira da primeira crise do ano. Muricy e Caio Jr. já são olhados com desconfiança, pois técnicos são os bodes expiatórios à mão. Fica mais fácil para as torcidas e dirigentes praticar tiro ao alvo com o treinador do que encarar a dura realidade de elencos frágeis e administrações incompetentes.

O Santos está pior ainda. Desclassificado da Libertadores (certo, em jogo épico, com o time aplaudido até pela exigente torcida da Vila Belmiro), repousa agora na zona de rebaixamento. Pior: perdeu para a Europa seu melhor jogador, Zé Roberto, e vai ficar mais de mês sem Kléber e Maldonado por causa da Copa América. No momento em que precisa reagir no Campeonato Brasileiro, a estrutura do conjunto vai para o espaço. Vanderlei Luxemburgo já fala em ‘reconstruir’ a equipe. São os verbos que ele mais usa, ‘construir’ e ‘reconstruir’, porque o time nunca está pronto, já repararam?

Qual o único paulista em boa fase? O jovem Corinthians, que depois de mandar embora os medalhões Carlos Alberto e Roger tem conseguido resultados com um time de meninos. Até onde pode ir esse Corinthians adolescente, em especial durante o tempo em que ficar sem o seu homem de criação, o promissor Willian, que também vai para uma dessas seleções da vida, sub sei lá o quê?

Corinthians, Santos, São Paulo, Palmeiras – todos eles vão ser desfalcados pelas seleções. É a vida: quem tem algum jogador bom, ou mesmo razoável, irá perdê-lo, seja por convocação, seja porque vem aí o bicho-papão da janela européia de contratações. Se bem que, exaurido do jeito que anda o futebol brasileiro, quem sobrou aqui para tentar o mercado do Primeiro Mundo? Alguns jovens, como Pato, Carlos Eduardo (do Grêmio) e Lucas (este já vendido para o Liverpool), Willian, talvez Lulinha, e poucos outros. O futebol brasileiro é terra arrasada, poço seco.

E então começamos a entender a bronca do Nelson. Não é apenas o time dele que vai mal: é que raramente nos é dado assistir a uma partida e comentar depois com os amigos ‘mas que jogão de bola!’ Somos todos torcedores e sabemos como é: quando o nosso time ganha, o mundo parece maravilhoso, um caminho de rosas, como naquela canção francesa. Pergunte ao corintiano, ao gremista, ou mesmo ao vascaíno e ao botafoguense se eles acham que o futebol anda chato. Mas também precisamos ter senso crítico e saber que está cada vez mais difícil ver no Brasil uma partida técnica, bem jogada.

OS JOGADORES E A SELEÇÃO

Primeiro, os pedidos de dispensa de Kaká , Ronaldinho e Zé Roberto. Agora, o braço-de-ferro entre Real Madrid e a CBF, tendo Robinho como pivô. É mais um capítulo do envenenado relacionamento entre clubes, de um lado, e seleções e a Fifa, de outro. Deve-se lembrar que o sonho da Uefa é substituir a Copa do Mundo por um milionário campeonato interclubes. Seria o corte definitivo dos já frágeis vínculos dos jogadores com seus países de origem.