Começar de novo…como?
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Começar de novo…como?

Luiz Zanin Oricchio

07 Outubro 2016 | 18h55

macunaima (1)

Com o Prêmio Nobel da Paz para o presidente colombiano Juan Manuel Santos, o nosso amigo Marcelo Rubens Paiva lembra em seu blog a humilhação brasileira. Nenhum Nobel, nenhum Oscar. Só para lembrar: nossa vizinha, a Argentina, tem cinco Nobeis e dois Oscars.

Marcelo diz que precisamos recomeçar do zero. Educação como prioridade um. Mais professores, mais bibliotecas, mais livros no currículo. Mais literatura, nacional e estrangeira. E o que nos vem em lugar disso? Vem essa bobagem de Escolas sem Partido.

Isso para dizer que, infelizmente, não dá para começar o Brasil do zero.

O Brasil sempre recomeça de alguma coisa. E essa alguma coisa não é nada boa. Basta ver a nossa oligarquia, chefões que agem como senhores de engenho ou, pior, senhores de escravos. Um golpe de estado a cada 50 anos…Que democracia é essa? Ora a democracia brasileira é uma piada. Só para ficarmos no passado recente. Jango deposto pelo golpe de 64. 21 anos de ditadura até a eleição indireta de 1985. O primeiro presidente eleito, Collor, impichado dois anos depois, em 1991. Em 2016, Dilma é botada para fora, sem qualquer culpa formada. Seria cômico não fosse trágico.

De modo que nunca começamos do nada. Começamos com essa gente. Com uma estrutura de poder montada e aperfeiçoada ao longo dos séculos para evitar a democracia para valer. E, quando não for possível evitá-la de todo, discipliná-la e colocá-la nos eixos, de modo que não contrarie interesses. Governo de base popular não fica no poder. Cai. Ainda mais governos ingênuos como foram os de Goulart e Dilma.

Temos de recomeçar com o que temos mesmo. E o que temos é material de péssima qualidade, oligarquias sem qualquer senso público e um povo ótimo em muitos aspectos, porém facilmente manipulável porque mal formado e mal informado.

É com isso que devemos contar quando pensamos em recomeçar, Marcelo.